Um passeio de uma hora pelo centro da cidade — da Praça da República, pela ponte romana, até à igreja do castelo e ao antigo mercado de peixe.
Capítulo 1
Onde Tavira Se Encontra
Toda a visita a Tavira começa aqui, quer se planeie quer não. Durante séculos, esta foi a Praça da Ribeira, o mercado ribeirinho onde se vendia peixe e fruta — e, até ao século XIX, até pessoas escravizadas — junto ao Gilão.
Os nomes da praça acompanham a política portuguesa: Praça da Constituição depois da revolução liberal de 1822, Praça da República a partir de 1910, quando os republicanos aqui se reuniram para içar a nova bandeira. Hoje, os Paços do Concelho com as suas arcadas, o obelisco da Primeira Guerra Mundial e um anfiteatro moderno emolduram a sala de estar da cidade.
- 70 m
Capítulo 2
Uma Cidade, Duas Margens
A maior parte das vilas ribeirinhas portuguesas cresceu de forma desequilibrada, agarrada a uma só margem. Tavira não. O geógrafo Orlando Ribeiro notou a «unidade completa» entre as suas duas metades — e esta ponte é a razão. Em 1501, os moradores do outro lado da água pediram ao rei D. Manuel I uma paróquia própria; a ponte era a sua linha de vida.
As cheias remodelaram-na mais de uma vez: quatro dos sete arcos datam da reconstrução régia de 1655–56 e, depois de a cheia de 1989 ter arrancado dois arcos, a cidade reconstruiu de novo. Desde os anos noventa é exclusivamente pedonal.
- 250 m
Capítulo 3
A Torre Acima dos Telhados
Por onde quer que deambule em Tavira, esta igreja encontra-o: a sua torre do relógio — possivelmente um minarete convertido — ergue-se sobre a colina do castelo, o ponto de referência mais seguro da cidade. Desde o final do século XIII, Santa Maria do Castelo é a igreja matriz de Tavira.
Os seus sinos marcaram durante séculos o ritmo da vida: batizados, funerais e o toque das almas ao anoitecer, que os mais velhos ainda recordam. Daqui partiam procissões marianas para proteger a cidade de pestes e secas. Suba à torre para uma vista sobre as ruas que acabou de percorrer.
- 390 m
Capítulo 4
A Despensa da Cidade
Durante 112 anos, este edifício de estrutura de ferro foi onde Tavira se alimentava. Peixe embrulhado à pressa em papel de jornal, amêndoas e legumes dos campos, notícias e receitas trocadas juntamente com a pescaria — e um gato residente, o Xaréu, famoso por surripiar sardinhas e conquistar o seu lugar na lenda.
O mercado acompanhou a cidade pelo racionamento da guerra e fechou mais cedo na manhã da revolução de 1974. A venda diária terminou em 1999; restaurado em 2000, o edifício acolhe hoje cafés, lojas de artesãos e a feira anual da Dieta Mediterrânica. A despensa tornou-se lugar de encontro.