
A nave baixa de ferro ao fundo do Jardim do Coreto é o primeiro mercado coberto de Tavira. Foi inaugurada a 30 de junho de 1887, após dois anos de obras, e era um mercado geral de alimentos, não um mercado de peixe; o edifício próprio da pesca, a Lota, ficava ao lado, a nascente. Hoje a nave chama-se Mercado da Ribeira e tem lojas e restaurantes, e o pátio é usado para concertos. O comércio mudou-se em 1999, quando abriu o novo Mercado Municipal. Olhe para a empena sul antes de entrar. Lá está a lápide "MM / INAUGURADO / EM / 1887", e os portões de ferro fundido verde-escuro foram feitos na cidade.
Antes de 1887, o comércio fazia-se em barracas de madeira. A DGPC diz que no próprio largo, o Largo do Açougue dos Mareantes; a câmara diz que junto aos Paços do Concelho e na Praça da Constituição, a atual Praça da República. O problema era a higiene, e a resposta foi um mercado coberto. O projeto é de 1876, o terreno foi escolhido em 1879, e a obra durou de 30 de junho de 1885 até à inauguração, no mesmo dia, dois anos depois. Custou uma capela. Nossa Senhora do Loreto, do século XVI, e algumas antigas edificações portuárias foram demolidas para abrir espaço.
A nave é de um só piso, sobre um ligeiro embasamento de pedra. No interior, ferro fundido e madeira sustentam uma cobertura de telha e vidro com um lanternim que só deixa cair luz nas coxias em redor dos dois pavilhões de ferro ao centro. A fachada principal vira-se para o jardim, a poente, com pilastras e frontão triangular a enquadrar um portal duplo de arco de volta perfeita; a empena nascente, para a Lota, é a mais simples. Os portões foram feitos na Serralharia do Largo do Trem, aqui na cidade. O SIPA chama-lhe um mercado comum, do tipo que Portugal construiu até à década de 1950.
Não é claro. O SIPA e a câmara escrevem tenente de infantaria José Inácio de Melo Pereira Vasconcelos; a DGPC escreve arquiteto António da Silva Meira, e uma versão posterior põe Meira a fiscalizar a obra e a desenhar a versão final. Talvez ambas as coisas. A nave faz conjunto com o jardim ao lado. Jardim, mercado e o bairro da pesca a nascente foram a última etapa do plano oitocentista para a margem do rio, e o coreto do jardim, fundido no Porto, chegou em 1890.
O mercado funcionou até 1999, quando o novo Mercado Municipal abriu na Avenida D. Manuel I. Em julho de 1998 a câmara tinha assinado um protocolo com o Instituto Superior Técnico para um plano para o edifício, e em 1999-2000 a nave foi adaptada a lojas e restaurantes; as pequenas salas ao longo da parede exterior tornaram-se lojas, abertas tanto para a rua como para a nave. Classificada nunca foi. A câmara pediu-o em 2007, e em 2010 o processo foi arquivado porque o edifício não tem valor nacional. Provavelmente é verdade. É local, e é essa a questão.
Entre pelo portão do lado do jardim e olhe para cima. A luz vem do lanternim sobre os dois pavilhões, e o chão é calçada portuguesa. Procure a lápide na empena sul e os medalhões "CM / 1887" nas bandeiras dos arcos. A Feira da Dieta Mediterrânica, em 2026 de 3 a 6 de setembro, usa a nave para demonstrações gastronómicas, e a antiga Lota ao lado é palco de concertos.
A margem do rio era o local de trabalho da cidade. O plano oitocentista para a margem direita do Gilão pôs o jardim entre a praça principal e o mercado, e o mercado entre o jardim e o bairro da pesca, com a Lota a nascente. O peixe entrava mesmo ao lado. Por isso o terreno já estava construído, com edificações portuárias e uma capela que tiveram de ser demolidas. O ligeiro embasamento de pedra está lá; porquê, as fontes não dizem.
O SIPA chama-lhe um mercado comum, do tipo que Portugal construiu até à década de 1950, e o Estado arquivou o processo de classificação em 2010 porque o edifício não tem valor nacional. Ambas as coisas são verdade. Mas a nave continua aqui, com o ferro fundido, os portões e a lápide de 1887, e porque se tornou galeria em vez de ser demolida, pode-se percorrer um mercado português de cidade perfeitamente normal, tal como era quando se construíam destes. É mais interessante do que o IGESPAR achou.
Arraste a linha divisória para ver o lugar como era e como é hoje. As duas fotografias foram tiradas do mesmo ponto.

19092019Par provisório: a fotografia atual ainda não foi tirada do ponto de vista do postal.
Antes: 1909 · Postal M. & R. (Lisboa) n.º 163 «Mercado Publico», c. 1909 · Aveiro e Cultura – Arquivo Digital
Agora: 2019 · Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL