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Ponte Antiga (Ponte Romana)

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Ponte Antiga (Ponte Romana)
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Introdução

Toda a gente lhe chama Ponte Romana. Nenhuma fonte o confirma. O mais antigo que se consegue documentar é medieval, e a ponte foi reconstruída várias vezes, a última depois de a cheia da noite de 3 de dezembro de 1989 ter destruído um talha-mar e dois dos arcos. Sete arcos, 86 metros, só para peões. Continua a ser a porta principal da cidade. Liga as duas margens do Gilão, e o geógrafo Orlando Ribeiro chamou a Tavira a única cidade portuguesa que, nascida no passo de um rio, se estendeu por ambas as margens sem perder a sua unidade. A ponte é a razão.

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Destaques históricos

Romana de nome

Os romanos tinham uma estrada ao longo da costa e a cidade de Balsa a poente de Tavira, por isso é natural pensar que também tinham aqui uma ponte. Nenhuma fonte histórica o confirma. O testemunho seguro mais antigo é do século XIII, quando a crónica da conquista do Algarve menciona a ponte, e o historiador Daniel Santana considera que pode ter sido construída no século XII, depois de o castelo ter protegido o vau. O nome ficou porque a história é melhor do que aquilo que sabemos.

Torres e casas na ponte

Em 1600, o cronista Henrique Fernandes Sarrão anotou que na ponte havia casas onde viviam moradores. Na extremidade poente erguia-se a Torre do Mar, uma torre mourisca octogonal na muralha, abaixo da colina de Santa Maria, e outra torre fazia par com ela; Carvalho da Costa descreveu em 1712 uma "formosa ponte de sete arcos com suas torres". Em 1763 construiu-se o corpo da guarda principal da cidade encostado à torre. O edifício da guarda foi demolido a partir de 1870 e a torre em 1886, para dar lugar a um passeio público que nunca chegou a existir. A ponte continua no brasão da cidade; está na folha de rosto do Foral Novo de 1504.

O rio leva, a cidade constrói

Em 1655 a ponte ruiu a partir de um dos arcos do lado sul. Em julho do mesmo ano, o contrato da reconstrução foi assinado em Lisboa, a corte enviou o arquiteto Mateus do Couto e o engenheiro francês Pedro de Santa Colomba, três mestres pedreiros de Lisboa ficaram com a obra por 8.500 cruzados, e a pedra veio de uma pedreira logo a montante e das muralhas da cidade. A obra ficou concluída em 1656-57; quatro dos sete arcos são dessa altura, e Couto substituiu o velho corpo central por um arco. Depois disso a ponte aguentou trezentos anos. Na noite de 3 de dezembro de 1989 o rio saiu do leito, um talha-mar ficou quase totalmente destruído, e os arcos quatro e cinco ficaram tão danificados que tiveram de ser reconstruídos. Durante cinco dias a cidade esteve dividida; o exército montou uma ponte de barcas, e a partir de 1990 uma ponte militar esteve junto ao mercado durante trinta anos. A consolidação de emergência veio em 1991, o projeto em 1992, e no início de 1993 a ponte estava de volta, agora só para peões.

Séqua e Gilão

O rio chama-se Séqua a montante da ponte e Gilão a jusante. A lenda explica-o com o cavaleiro cristão Gilão e a princesa moura Séqua, que foram descobertos na ponte pelos dois exércitos e se lançaram ao rio cada um para seu lado, ela a montante, ele a jusante. Fundamento histórico não tem, mas é a explicação que se ouve na cidade.

Na prática

Fique no meio da ponte ao fim do dia, quando o sol bate nas fachadas da margem nascente, e olhe pelo Gilão abaixo em direção à ria. À entrada da ponte, um painel de azulejos recorda o combate na ponte durante a crise de 1383-85. A planta de Tavira de Leonardo de Ferrari, de 1655, com a ponte e a torre, pode ver-se no mapa de viagem no tempo da app.

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Cronologia e contexto

Cronologia

  • Século XII – Possível primeira ponte, depois de o castelo ter protegido o vau.
  • Século XIII – A ponte é mencionada na crónica da conquista do Algarve.
  • 1383-85 Combate na ponte durante a crise sucessória.
  • 1501 Os moradores "além da ponte" pedem a D. Manuel I uma freguesia própria.
  • 1577 Frei João de São José descreve a cidade como dividida em duas "como Roma ou Sevilha", ligadas pela ponte.
  • 1600 Sarrão regista casas habitadas na ponte.
  • 1655-57 Derrocada e reconstrução por Mateus do Couto e Pedro de Santa Colomba; quatro arcos.
  • 1763 O corpo da guarda principal da cidade é construído encostado à Torre do Mar.
  • 1870 e 1886 O edifício da guarda e a Torre do Mar são demolidos.
  • 1966 Uma nova ponte na Asseca alivia a antiga; o trânsito automóvel cessa mais tarde.
  • 1986 Classificada como Imóvel de Interesse Público.
  • 3 de dezembro de 1989 Uma cheia destrói um talha-mar e dois arcos.
  • 1991-93 Consolidação de emergência e reconstrução; a partir daí só para peões.

Uma cidade nas duas margens

A maior parte das cidades ribeirinhas portuguesas cresceu numa das margens e só tarde ganhou alguma coisa na outra. Tavira é diferente. Já em 1501 o arrabalde além da ponte era grande o suficiente para pedir ao rei uma freguesia própria, e em 1577 Frei João de São José escreveu que a cidade está dividida em duas como Roma ou Sevilha e tem a sua ponte, por onde os moradores se comunicam sem enfadamento. Orlando Ribeiro chamou a Tavira a única cidade portuguesa que, nascida no passo de um rio, se estendeu por ambas as margens sem quebra de unidade. Isso exige uma ponte em que se possa confiar. Sempre que a ponte caiu, voltou a ser levantada, não por ser bonita, mas porque a cidade não funciona sem ela.

"Romana" como selo de qualidade

Portugal tem muitas pontes "romanas" que não o são. Algumas são, como a Ponte de Trajano em Chaves, com as suas inscrições. A de Tavira cresceu por camadas: três arcos com talha-mares pequenos, que talvez sejam mais antigos, quatro arcos de 1655-57 com talha-mares robustos, e um núcleo de betão armado de 1992. Vê-se olhando para a alvenaria a partir da margem; as pedras mudam de carácter de arco para arco. É uma ponte mais interessante do que a romana que talvez nunca foi.

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