Passeio narrado65 min1,0 km4 paragens

A Tavira medieval sobrevive apenas em fragmentos: duas capelas abobadadas na igreja do castelo, o convento franciscano junto ao jardim, uma capela quinhentista na igreja do hospital e o pórtico do convento das Bernardas. Repare nas portas góticas em arco quebrado pelo caminho. Baseado em temas do guia histórico oficial do Município de Tavira.

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    Igreja de Santa Maria do Castelo

    15 min

    Capítulo 1

    Ossos Góticos Sob o Barroco

    Esta igreja foi reconstruída tantas vezes que o seu ser medieval sobrevive apenas em fragmentos — e encontrar esses fragmentos é o tema deste passeio. O grande sobrevivente é o portal principal: uma porta gótica ogival com capitéis vegetalistas esculpidos, coroada por uma rosácea. Ambos resistiram a séculos de alterações e ao terramoto de 1755.

    Lá dentro, procure a Capela do Senhor dos Passos, que recebeu uma abóbada nervurada no século XVI, quando o gótico tardio se cruzou com o novo estilo manuelino. A reconstrução barroca da década de 1790 envolveu estes ossos góticos em vez de os apagar.

  2. 250 m
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    Igreja de São Francisco

    15 min

    Capítulo 2

    Capelas Abertas ao Céu

    São Francisco é o mais antigo estabelecimento religioso de Tavira, iniciado no final do século XIII como convento franciscano, depois da conquista cristã do Algarve. A sua forma medieval era o gótico mendicante típico: nave única, abóbadas simples e capelas funerárias de famílias nobres.

    Pouco disso sobrevive na igreja de cúpulas gémeas que hoje se vê — a nave ruiu em 1843 e toda a planta foi rodada noventa graus. Mas no jardim ao lado, duas capelas góticas medievais permanecem abertas ao céu, espaços de abóbada nervurada que outrora guardaram os túmulos de famílias importantes.

  3. 50 m
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    Igreja de São José do Hospital do Espírito Santo

    10 min

    Capítulo 3

    Uma Capela Escondida no Hospital

    Esta igreja barroca octogonal pertencia ao principal hospital de Tavira, fundado como albergaria para os pobres em 1425 e ampliado depois de o rei D. Afonso V doar terrenos em 1454. O terramoto de 1755 arruinou a capela antiga e, em 1768, a igreja estava reconstruída segundo a sua invulgar planta de oito lados.

    Mas lá dentro sobrevive a estrutura mais antiga do lugar: uma capela funerária de 1541, cujas nervuras gótico-manuelinas e escudos heráldicos são um raro fragmento do mundo tardo-medieval de Tavira, silenciosamente envolvido pela reconstrução barroca.

  4. 470 m
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    Convento das Bernardas Residence

    10 min

    Capítulo 4

    O Portal Que Sobreviveu a Tudo

    O rei D. Manuel I fundou este convento em 1509, em agradecimento por um cerco vitorioso em Marrocos, e freiras cistercienses — as Bernardas — aqui viveram durante mais de três séculos. O seu portal de pedra gótico-manuelino e o claustro de quadrado duplo falavam a linguagem arquitetónica da época do fundador.

    O edifício resistiu ao terramoto de 1755, à extinção das ordens religiosas em 1834 e a uma passagem como fábrica de moagem a vapor e de massas a partir de 1890, antes de Eduardo Souto de Moura o transformar em habitações, entre 2006 e 2012 — mantendo o portal, o claustro e os arcos que guardam as suas origens manuelinas.