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Tavira

Convento das Bernardas

Convento de Cister de 1509, fábrica de moagem a partir de 1890, habitações desde 2012 por Souto de Moura.

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© Pedro S Bello (2020)

Períodos

RenascimentoIluminismoIndustrialContemporâneo

Etiquetas

Pontos FotográficosVista PanorâmicaLugar TranquiloIgrejaMouriscoPatrimónio Gastronómico

Horário

Visível apenas do exterior O edifício não está aberto ao público – o local aprecia-se do exterior.

Site

https://conventobernardas.com/

Introdução

Da Rua da Atalaia vê-se um portal manuelino de pedra num muro comprido e fechado. Atrás dele vivem pessoas. O Convento das Bernardas foi o único convento da Ordem de Cister no Algarve e a maior casa religiosa feminina da região, fundado em 1509 por D. Manuel I em ação de graças pelo fracasso de um ataque mouro a Arzila. As freiras saíram em 1862, a partir de 1890 foi fábrica de moagem e massas a vapor, e em 2012 tornou-se 78 habitações projetadas por Eduardo Souto de Moura. O portal é o que de mais antigo resta de pé do século XVI. O resto é propriedade privada e vê-se de fora, mas é uma das melhores histórias de edifícios da cidade, e pode ler-se a partir do passeio.

Destaques históricos

O agradecimento do rei por Arzila

D. Manuel I fundou o convento em 1509 em ação de graças pelo fracasso de um ataque mouro à Arzila portuguesa, em Marrocos; segundo o museu da cidade, os próprios tavirenses tiveram um papel no levantamento do cerco. A casa destinava-se a clarissas, mas o bispo D. Fernando Coutinho concluiu-a em 1528, instalou a irmã como primeira abadessa e entregou-a em 1530 às monjas cistercienses. Durante três séculos foi a única casa da ordem no Algarve e o maior convento feminino da região, com freiras de todo o Algarve.

Portal, terramoto e uma procissão de Quinta-feira Santa

O portal é manuelino, mas foi elevado com fogaréus barrocos, e a inscrição por cima dele está datada de 1676. Ninguém sabe com que violência o terramoto de 1755 o atingiu, mas houve obras de reconstrução na segunda metade do século XVIII. As freiras não eram dóceis. Em 1787 a Misericórdia decidiu que a procissão de Quinta-feira Santa nunca mais passaria pelo convento, porque no ano anterior as irmãs tinham mandado calar os padres durante a ladainha. Quando os capuchos construíram mesmo em frente, por volta de 1600, nasceu a lenda de um túnel secreto entre as duas casas. As condutas que se encontraram têm poucos metros de comprimento.

Da extinção à fábrica de massas

Em 1862 o convento foi extinto e nacionalizado, um incêndio levou parte dele em 1863, e em 1866 José Maria de Lemos comprou o edifício. A última freira morreu em 1869 numa casa na Rua de S. Sebastião. Quando o arquiteto Albrecht Haupt viu o lugar em 1888, estava "em completa ruína", mas o claustro ainda se mantinha de pé com as suas colunas octogonais. A partir de 1890 foi fábrica de moagem e massas a vapor. Depois de 1920 o claustro, a ala central e a torre sineira foram demolidos. A fábrica fechou em 1968.

Souto de Moura

Um processo de classificação foi aberto em 2000 e caducou em 2009, pelo que o edifício não tem qualquer proteção legal. Correu bem na mesma. Souto de Moura projetou a reconversão em 2006-09, e em 2012 estavam prontas 78 habitações: 57 nas alas conventuais, 21 moradias em banda novas num edifício em L a nascente. A nave da igreja é a receção, e o claustro tornou-se um pátio com tanque. Em 2017 o projeto recebeu o European Award for Architectural Heritage Intervention por ter construído casas de férias para um promotor privado sem destruir o convento.

Na prática

Habitação privada, sem acesso. O portal fica na fachada norte, virada à Rua da Atalaia; procure os fogaréus barrocos e a data 1676 por cima do arco. Dando a volta pelo lado sul, virado ao sapal, vê-se o longo tardoz voltado para o Gilão e percebe-se porque é que o convento podia ter moinhos lá fora.

Cronologia e contexto

Cronologia

  • 1492 D. João II doa água da Fonte da Atalaia a um convento de freiras em projeto.
  • 1509 D. Manuel I funda o convento em ação de graças pelo ataque mouro a Arzila repelido.
  • 1528-30 A obra está concluída; o bispo D. Fernando Coutinho entrega-a às monjas cistercienses.
  • 1537 D. João III autoriza o convento a comprar moinhos no sapal.
  • 1755 O terramoto danifica gravemente o convento; reconstrução na segunda metade do século XVIII.
  • 1836 As freiras bernardas do Algarve são reunidas em Tavira, por a casa ser a mais espaçosa.
  • 1862 O convento é extinto e nacionalizado.
  • 1866 Vendido a José Maria de Lemos.
  • 1869 A última freira morre numa casa na Rua de S. Sebastião.
  • 1888 Albrecht Haupt encontra o lugar em ruína, mas o claustro ainda se mantém de pé.
  • 1890 Fábrica de moagem e massas a vapor; depois de 1920 o claustro e a torre sineira são demolidos.
  • 1968 A fábrica fecha.
  • 2000-09 Um processo de classificação é aberto e caduca; sem proteção legal.
  • 2006-12 Eduardo Souto de Moura reconverte-o em 78 habitações; prémio europeu de património 2017.

Porque fica aqui

O convento fica no antigo Campo da Atalaia, onde a cidade passa a sapal ao longo da margem direita do Gilão. Era a periferia, e convinha a um convento feminino de clausura com um muro retangular à volta. A água vinha da Fonte da Atalaia, que o rei doou logo em 1492, e o sapal lá fora dava rendimento: os moinhos de cereais do convento continuavam a ser a sua propriedade mais importante em 1823. A casa era a maior do seu género na região, e por isso o governo reuniu as bernardas do Algarve precisamente aqui em 1836.

O que resta

Menos do que se pensa, e mais do que se receia. O claustro, a ala central e a torre sineira desapareceram no tempo da fábrica, por isso as colunas que Haupt desenhou em 1888 já não existem. Restam o portal, as paredes da igreja com os arcos para o coro e o transepto, as janelas das celas na ala poente e a pedra espessa das alas. Souto de Moura deixou-as ficar e meteu as habitações atrás delas; o pátio com o tanque fica mais ou menos onde era o claustro. Não é um museu, e é provavelmente por isso que existe. Um edifício sem classificação sobrevive melhor quando alguém paga para morar nele.

Há material de pesquisa adicional disponível para este sítio.

Convento das Bernardas

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©Pedro S Bello (2020)
Convento das Bernardas
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Pontos FotográficosVista PanorâmicaLugar TranquiloIgrejaMouriscoPatrimónio Gastronómico

Introdução

Da Rua da Atalaia vê-se um portal manuelino de pedra num muro comprido e fechado. Atrás dele vivem pessoas. O Convento das Bernardas foi o único convento da Ordem de Cister no Algarve e a maior casa religiosa feminina da região, fundado em 1509 por D. Manuel I em ação de graças pelo fracasso de um ataque mouro a Arzila. As freiras saíram em 1862, a partir de 1890 foi fábrica de moagem e massas a vapor, e em 2012 tornou-se 78 habitações projetadas por Eduardo Souto de Moura. O portal é o que de mais antigo resta de pé do século XVI. O resto é propriedade privada e vê-se de fora, mas é uma das melhores histórias de edifícios da cidade, e pode ler-se a partir do passeio.

Research

Destaques históricos

O agradecimento do rei por Arzila

D. Manuel I fundou o convento em 1509 em ação de graças pelo fracasso de um ataque mouro à Arzila portuguesa, em Marrocos; segundo o museu da cidade, os próprios tavirenses tiveram um papel no levantamento do cerco. A casa destinava-se a clarissas, mas o bispo D. Fernando Coutinho concluiu-a em 1528, instalou a irmã como primeira abadessa e entregou-a em 1530 às monjas cistercienses. Durante três séculos foi a única casa da ordem no Algarve e o maior convento feminino da região, com freiras de todo o Algarve.

Portal, terramoto e uma procissão de Quinta-feira Santa

O portal é manuelino, mas foi elevado com fogaréus barrocos, e a inscrição por cima dele está datada de 1676. Ninguém sabe com que violência o terramoto de 1755 o atingiu, mas houve obras de reconstrução na segunda metade do século XVIII. As freiras não eram dóceis. Em 1787 a Misericórdia decidiu que a procissão de Quinta-feira Santa nunca mais passaria pelo convento, porque no ano anterior as irmãs tinham mandado calar os padres durante a ladainha. Quando os capuchos construíram mesmo em frente, por volta de 1600, nasceu a lenda de um túnel secreto entre as duas casas. As condutas que se encontraram têm poucos metros de comprimento.

Da extinção à fábrica de massas

Em 1862 o convento foi extinto e nacionalizado, um incêndio levou parte dele em 1863, e em 1866 José Maria de Lemos comprou o edifício. A última freira morreu em 1869 numa casa na Rua de S. Sebastião. Quando o arquiteto Albrecht Haupt viu o lugar em 1888, estava "em completa ruína", mas o claustro ainda se mantinha de pé com as suas colunas octogonais. A partir de 1890 foi fábrica de moagem e massas a vapor. Depois de 1920 o claustro, a ala central e a torre sineira foram demolidos. A fábrica fechou em 1968.

Souto de Moura

Um processo de classificação foi aberto em 2000 e caducou em 2009, pelo que o edifício não tem qualquer proteção legal. Correu bem na mesma. Souto de Moura projetou a reconversão em 2006-09, e em 2012 estavam prontas 78 habitações: 57 nas alas conventuais, 21 moradias em banda novas num edifício em L a nascente. A nave da igreja é a receção, e o claustro tornou-se um pátio com tanque. Em 2017 o projeto recebeu o European Award for Architectural Heritage Intervention por ter construído casas de férias para um promotor privado sem destruir o convento.

Na prática

Habitação privada, sem acesso. O portal fica na fachada norte, virada à Rua da Atalaia; procure os fogaréus barrocos e a data 1676 por cima do arco. Dando a volta pelo lado sul, virado ao sapal, vê-se o longo tardoz voltado para o Gilão e percebe-se porque é que o convento podia ter moinhos lá fora.

Research

Cronologia e contexto

Cronologia

  • 1492 D. João II doa água da Fonte da Atalaia a um convento de freiras em projeto.
  • 1509 D. Manuel I funda o convento em ação de graças pelo ataque mouro a Arzila repelido.
  • 1528-30 A obra está concluída; o bispo D. Fernando Coutinho entrega-a às monjas cistercienses.
  • 1537 D. João III autoriza o convento a comprar moinhos no sapal.
  • 1755 O terramoto danifica gravemente o convento; reconstrução na segunda metade do século XVIII.
  • 1836 As freiras bernardas do Algarve são reunidas em Tavira, por a casa ser a mais espaçosa.
  • 1862 O convento é extinto e nacionalizado.
  • 1866 Vendido a José Maria de Lemos.
  • 1869 A última freira morre numa casa na Rua de S. Sebastião.
  • 1888 Albrecht Haupt encontra o lugar em ruína, mas o claustro ainda se mantém de pé.
  • 1890 Fábrica de moagem e massas a vapor; depois de 1920 o claustro e a torre sineira são demolidos.
  • 1968 A fábrica fecha.
  • 2000-09 Um processo de classificação é aberto e caduca; sem proteção legal.
  • 2006-12 Eduardo Souto de Moura reconverte-o em 78 habitações; prémio europeu de património 2017.

Porque fica aqui

O convento fica no antigo Campo da Atalaia, onde a cidade passa a sapal ao longo da margem direita do Gilão. Era a periferia, e convinha a um convento feminino de clausura com um muro retangular à volta. A água vinha da Fonte da Atalaia, que o rei doou logo em 1492, e o sapal lá fora dava rendimento: os moinhos de cereais do convento continuavam a ser a sua propriedade mais importante em 1823. A casa era a maior do seu género na região, e por isso o governo reuniu as bernardas do Algarve precisamente aqui em 1836.

O que resta

Menos do que se pensa, e mais do que se receia. O claustro, a ala central e a torre sineira desapareceram no tempo da fábrica, por isso as colunas que Haupt desenhou em 1888 já não existem. Restam o portal, as paredes da igreja com os arcos para o coro e o transepto, as janelas das celas na ala poente e a pedra espessa das alas. Souto de Moura deixou-as ficar e meteu as habitações atrás delas; o pátio com o tanque fica mais ou menos onde era o claustro. Não é um museu, e é provavelmente por isso que existe. Um edifício sem classificação sobrevive melhor quando alguém paga para morar nele.

Research

Conteúdo gerado por IA

O texto e a narração foram criados com inteligência artificial — a voz é sintética. O conteúdo é revisto editorialmente, mas podem ocorrer erros.