Passeio narrado90 min1,8 km6 paragens

A Tavira barroca é a cidade do arquiteto Diogo Tavares e Ataíde: a ermida pintada de São Sebastião, a igreja octogonal do hospital, a igreja de Santiago e a fachada nobre do Palácio da Galeria — e, do outro lado do rio, São Brás e o interior dourado da igreja do Carmo. Baseado em temas do guia histórico oficial do Município de Tavira.

0 de 6 paragens visitadas
  1. 1
    Ermida de São Sebastião

    10 min

    Capítulo 1

    Uma Festa de Cor e Talha Dourada

    Fundada no final da Idade Média como santuário contra a peste, dedicada a São Sebastião, esta pequena ermida estava em ruínas no início do século XVIII. Em 1745, a vila encarregou o mestre construtor Diogo Tavares e Ataíde e Manuel Aleixo de a reconstruir — frontão curvo, arco triunfal e capela-mor com cúpula.

    Em 1759, o pintor Diogo de Mangino acrescentou dez telas que narram a vida do santo, entre mármores fingidos e anjos dourados — considerada a mais completa vida pintada do santo na arte portuguesa. Restaurada depois de 2000, vive hoje como espaço cultural.

  2. 340 m
    2
    Igreja de São José do Hospital do Espírito Santo

    10 min

    Capítulo 2

    O Milagre e o Octógono

    Uma albergaria para os pobres existia aqui desde 1425, crescendo até se tornar o principal hospital de Tavira. Em 1721, dizia-se que a sua imagem de madeira de São José suara sangue; o milagre granjeou o favor régio e, em 1747, o rei D. João V fez da igreja Capela Real.

    O terramoto de 1755 arruinou a capela antiga. Diogo Tavares e Ataíde reconstruiu-a numa arrojada planta octogonal inspirada na igreja do Menino Deus, em Lisboa, concluída em 1768 — uma fachada rococó por fora e, por dentro, uma abóbada octogonal e um altar-mor em trompe-l'oeil, pintado em 1805.

  3. 200 m
    3
    Igreja de Santiago

    10 min

    Capítulo 3

    Santiago a Cavalo

    Santiago nasceu da Reconquista: construída pela Ordem de Santiago pouco depois de as forças cristãs tomarem Tavira, em 1242, num local onde se crê ter existido uma mesquita. A sua singela nave gótica serviu a vila durante cinco séculos.

    O terramoto de 1755 destroçou-a. A reconstrução deu à igreja o seu rosto sóbrio, barroco-neoclássico, reconsagrado em 1777. Outras paróquias doaram obras de arte salvadas, os altares dourados foram restaurados, e um medalhão de Santiago a cavalo recorda a lenda de que o próprio santo apareceu no cerco de Tavira.

  4. 150 m
    4
    Palácio da Galeria

    10 min

    Capítulo 4

    A Grande Fachada do Arquiteto

    O mais belo edifício civil de Tavira ergue-se no seu solo sagrado mais antigo: sob o átrio, os arqueólogos encontraram poços rituais fenícios abertos para o deus das tempestades, Baal, no século VII a.C. Uma casa nobre nasceu aqui na Idade Média, tomando o nome de uma galeria renascentista de arcos do século XVI.

    Por volta de 1745, o magistrado João Leal da Gama e Ataíde encarregou Diogo Tavares e Ataíde de dar ao palácio o seu rosto barroco — a fachada cinza-pérola e os ornatos esculpidos — mantendo a galeria renascentista. Desde 2001 é o museu municipal de Tavira.

  5. 460 m
    5
    Ermida de São Brás

    10 min

    Capítulo 5

    O Curandeiro Fora das Muralhas

    Esta pequena ermida nasceu no século XV, logo fora das antigas muralhas, dedicada a São Brás — o santo curandeiro invocado contra os males da garganta e a peste. A sua irmandade de leigos celebrava a festa a cada 3 de fevereiro, com a Bênção das Gargantas.

    Depois do terramoto de 1755, Diogo Tavares e Ataíde dirigiu a reconstrução: uma nave mais larga, um frontão barroco curvo e um gracioso portal rococó de pedra. O bairro do Alto de São Brás ainda traz o nome da ermida, e a casa do ermitão anexa recorda os que aqui velaram.

  6. 130 m
    6
    Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo

    15 min

    Capítulo 6

    Uma Despedida em Ouro

    A igreja do Carmo foi um projeto dos próprios cidadãos de Tavira: a Ordem Terceira do Carmo, de leigos, que garantiu por escrituras de 1737 um terreno perto de São Brás e começou a construir em 1744. A estrutura principal estava completa na década de 1750 — o bispo D. Inácio de Santa Teresa foi aqui sepultado em 1751 —, embora a fachada, com a sua espadana única, só ficasse concluída em 1792.

    Lá dentro, uma igreja de cruz latina resplandece com retábulos dourados, talha policromada e pinturas ilusionistas no teto — barroco português tardio, moldado por mãos locais e meios locais.