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Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo

Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo - Domínio público 1/9
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Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo - Flemming Berthelsen 2/9
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Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo - Flemming Berthelsen 6/9
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Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo - Flemming Berthelsen 9/9
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Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo
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Introdução

Por fora é uma igreja modesta: fachada clara, uma torre sineira com três aberturas, um painel de azulejos no tímpano. Por dentro guarda algo que o inventário do património arquitetónico do Estado conta entre o rococó mais sumptuoso do Algarve. A igreja pertence a uma irmandade de leigos, a Ordem Terceira do Carmo, que em 1747 começou a construí-la encostada a um convento carmelita que ela própria tinha pedido dez anos antes. A igreja ficou pronta por volta de 1789. O convento nunca ficou. O retábulo-mor de 1780-84 e o teto de pintura ilusionista da capela-mor são a razão para entrar. A irmandade ainda é dona da igreja, e ela está em uso.

Research

Destaques históricos

De uma capela a igreja própria

A irmandade é mais antiga do que a igreja. A Ordem Terceira do Carmo era uma irmandade de leigos dos inícios do século XVIII, com sede numa capela da Igreja de São Paulo, dos eremitas de São Paulo. Queria ter a sua. Em junho de 1737 a ordem pediu aos carmelitas descalços que fundassem um convento em Tavira, e em 1745 a obra do convento estava em curso em terreno no Alto de São Brás, doado pelo capitão António da Costa Paiva. Dois anos depois a irmandade demarcou o terreno para a sua própria igreja, mesmo ao lado. Os desenhos vieram do frade carmelita Frei Manuel da Conceição, em Lisboa, e a fachada do mestre pedreiro de Faro Diogo Tavares e Ataíde.

Quarenta anos de obras

Levou tempo. A igreja ficou pronta por volta de 1789, e o ano de 1792 está gravado num portal; se é o portal da própria irmandade ou o da igreja do convento ao lado, as fontes não estão de acordo. Foi a última grande obra de igreja iniciada em Tavira. O convento nunca chegou tão longe. Quando as ordens religiosas foram extintas, em 1834, ainda estava por acabar. O bispo do Algarve, D. Inácio de Santa Teresa, antigo arcebispo de Goa, morreu em Faro em 1751 e, por vontade própria, está sepultado aqui, quatro anos depois do início das obras. Como isso se fez numa igreja meio construída, as fontes não dizem.

Rococó com dinheiro local

Cruz latina, nave única de quatro tramos, cúpula sobre o cruzeiro. É pela talha que se vem. O retábulo-mor foi feito em 1780 e dourado em 1784 por Domingos de Almeida e pelo italiano Patricio Malatesta; a câmara chama-lhe uma obra-prima da talha algarvia. Seis altares laterais com santos carmelitas como Santo Elias e Santa Teresa. Sobre a capela-mor, um teto de pintura ilusionista em que Nossa Senhora do Carmo entrega o escapulário a São Simão Stock; as fontes atribuem-no ora a José Ferreira da Rocha, ora a Joaquim José Rasquinho. O douramento foi em vários casos pago por devotos de Tavira.

Mortos, vivos e um centro de ciência

Ser irmão dava direito a sepultura. Até 1837 enterrava-se na própria igreja, depois nos dois cemitérios da irmandade, o grande e o pequeno, em uso até 1918. No Domingo de Ramos, a Procissão do Triunfo ainda sai da igreja, organizada pela câmara e pela irmandade. O edifício do convento seguiu o seu caminho: asilo de crianças a partir de 1870, escola de pesca a partir de 1944, vazio em 1980, e em 2005 o Centro Ciência Viva abriu na antiga igreja do convento. A igreja continua a ser da irmandade. Em setembro de 2025, a câmara e a ordem acordaram obras urgentes no pórtico e no vão superior da fachada principal, até 36.900 euros.

Na prática

A entrada para visitantes é o portal sul do transepto, virado para o Terreiro do Carmo; o portal ao fundo da nave dá para o convento. Por fora: o ano de 1792 num portal, o painel de azulejos no tímpano, as armas carmelitas no frontão sobre a porta. Por dentro: o retábulo-mor, o teto da capela-mor e as quatro telas com os milagres de Santo Elias nas paredes da capela-mor. A igreja está em uso como igreja. A câmara organiza de vez em quando visitas guiadas, e o Centro Ciência Viva fica no convento ao lado.

Research

Cronologia e contexto

Cronologia

  • Inícios do século XVIII – É fundada a irmandade de leigos Ordem Terceira do Carmo, com sede numa capela da Igreja de São Paulo.
  • 1737 A irmandade pede aos carmelitas descalços um convento em Tavira; o ano está inscrito no portal do convento.
  • 1745 A obra do convento está em curso em terreno no Alto de São Brás, doado pelo capitão António da Costa Paiva.
  • 1747 Demarca-se o terreno para a igreja própria da irmandade; desenhos de Frei Manuel da Conceição, fachada de Diogo Tavares e Ataíde.
  • 1751 O bispo D. Inácio de Santa Teresa morre em Faro e é sepultado na igreja por vontade própria.
  • 1780-84 O retábulo-mor é feito e dourado por Domingos de Almeida e Patricio Malatesta.
  • c. 1789 A igreja fica pronta.
  • 1792 Ano gravado num portal; conclui-se a fachada.
  • 1834 As ordens religiosas são extintas; o convento continua por acabar.
  • 1837 Acabam os enterros na igreja; os dois cemitérios da irmandade ficam em uso até 1918.
  • 1870-1942 O edifício do convento é asilo de crianças; a partir de 1944, escola de pesca.
  • 2005 O Centro Ciência Viva de Tavira abre na antiga igreja do convento.
  • 2012 Classificada como Monumento de Interesse Público (Portaria n.º 722/2012).
  • 2025 Câmara e irmandade acordam obras urgentes na fachada principal.

Duas igrejas num só largo

O invulgar no Largo do Carmo é haver duas igrejas carmelitas lado a lado: a igreja do convento dos frades e a igreja própria da irmandade de leigos. Foi a irmandade que pediu o convento em 1737 e, dez anos depois, construiu a sua igreja encostada a ele. Os frades nunca chegaram a acabar a deles. Os leigos acabaram. Hoje a igreja do convento é um centro de ciência, e a igreja da irmandade continua a ser igreja. Diz bastante sobre quem tinha o dinheiro em Tavira no século XVIII.

O que resta

O edifício está inteiro, e o interior com ele. O retábulo-mor, os altares laterais, os púlpitos, o teto pintado e as quatro telas de Elias estão onde foram postos. O inventário do património arquitetónico do Estado chama à igreja emblemática do rococó português, e o teto é um dos poucos do género no Algarve. A fachada precisa de obras; o acordo de 2025 sobre o pórtico e o vão superior di-lo por si. Entre enquanto a igreja ainda está aberta sem andaimes.

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