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Tavira

Palácio da Galeria

A única loggia renascentista do Algarve, palácio barroco de c. 1750, poços fenícios sob o chão.

<a rel="nofollow" class="external text" href="https://www.flickr.com/people/21446942@N00">Vitor Oliveira</a> from Torres Vedras, PORTUGAL
© Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL (2019)

Períodos

Pré-RomanoRenascimentoIndustrialModernaContemporâneo

Etiquetas

Para FamíliasPontos FotográficosVista PanorâmicaMuseuMouriscoAcessível para Cadeira de Rodas

Horário

Segunda-feira: Fechado

Terça-feira: 10:00–13:00, 14:00–17:00

Quarta-feira: 10:00–13:00, 14:00–17:00

Quinta-feira: 10:00–13:00, 14:00–17:00

Sexta-feira: 10:00–13:00, 14:00–17:00

Sábado: 10:00–13:00, 14:00–17:00

Domingo: Fechado

Site

https://museumunicipaldetavira.cm-tavira.pt/

Introdução

Olhe para cima, para o segundo piso. Os três arcos de volta perfeita virados para o rio são a única loggia renascentista do Algarve, o que resta de um palácio urbano da primeira metade do século XVI, e, ao que tudo indica, é deles que a casa tira o nome. O resto é barroco. Por volta de 1750, o desembargador João Leal da Gama Ataíde mandou o mestre construtor Diogo Tavares de Ataíde remodelar a casa, e a loggia ficou. Debaixo do átrio, os arqueólogos encontraram em 2001 poços escavados na rocha, interpretados como poços de culto fenícios do século VII a.C. Desde esse mesmo ano, o palácio é o Museu Municipal de Tavira. Três histórias numa só casa, e só estão ligadas por estarem umas por cima das outras.

Destaques históricos

Os poços debaixo do átrio

Durante as obras de 2001, a equipa de Maria Maia escavou e encontrou um grande número de poços abertos na rocha. A cerâmica neles é fenícia, da segunda metade do século VII a.C. Maia interpretou os poços como sepulturas, mais tarde sacralizadas e usadas como poços de oferendas, bothroi, num santuário de Baal, o deus protetor da navegação. É uma hipótese; Covaneiro e Cavaco escreveram em 2017 que as escavações não a permitem confirmar. O certo é que alguém abriu aqui muitos buracos na rocha há 2700 anos, e que o museu lhes chama poços de culto sem reservas.

A loggia

A alvenaria visível mais antiga é um portal gótico do século XV no edifício vizinho. O palácio propriamente dito é da primeira metade do século XVI, e dele resta a loggia: três arcos de volta perfeita no segundo piso, virados para o rio. Os capitéis parecem-se com os da Igreja da Misericórdia e são por isso atribuídos à oficina de André Pilarte, os canteiros da cidade em meados do século XVI. Que a casa se chame Galeria por causa da loggia é a explicação corrente; nenhuma fonte do século XVI o diz.

O barroco do desembargador

Em 1737 a casa foi parar ao Hospital do Espírito Santo, que a arrendou ao comandante militar da cidade, o brigadeiro Francisco Pereira da Silva Pacheco. Antes de 1753, o desembargador João Leal da Gama Ataíde comprou-a e encarregou Diogo Tavares de Ataíde de a remodelar. A fachada dele é a que se vê: o portal de verga reta em cantaria com caixotões, a janela por cima com frontão curvo interrompido e dois brasões, e, nas traseiras, azulejos barrocos. Os telhados são o mais estranho: muitos pequenos telhados de quatro águas, um sobre cada divisão, três sobre a loggia.

Tribunal, escola, armazém, museu

Morta a filha do desembargador, o palácio degradou-se, e em 1863 o hospital vendeu-o à câmara por 471.675 réis, para tribunal e repartição de finanças. Depois foi escola, e em 1997 parte dele era armazém. Nesse mesmo ano, o arquiteto José Lamas desenhou a remodelação. Um ponto do plano foi chumbado: o depósito de água do jardim, de 1930, devia desaparecer, mas a cidade disse não num referendo em junho de 1999. O museu abriu em outubro de 2001, e em 2013 o palácio passou a Monumento de Interesse Público.

Na prática

Entrada pela Calçada da Galeria. Aberto de terça a sábado das 10h às 13h e das 14h às 16h30, fechado ao domingo, à segunda e aos feriados; confirme no site do museu, os horários mudam. Repare nos capitéis da loggia, nos azulejos da fachada traseira e nos muitos telhados pequenos. Os poços ficam debaixo do átrio; pergunte aos funcionários se podem ser vistos.

Cronologia e contexto

Cronologia

  • 2.ª metade dos anos 600 a.C. Os poços debaixo do átrio são abertos na rocha; a cerâmica é fenícia.
  • Anos 700-300 a.C. Povoamento no jardim atrás do palácio.
  • Anos 1400 Portal gótico no edifício vizinho.
  • 1.ª metade dos anos 1500 Construção do palácio; a loggia é atribuída à oficina de André Pilarte.
  • 1662 O testamento de Antónia de Abranches deixa ao Hospital do Espírito Santo uma renda sobre a casa.
  • 1737 O hospital fica com a posse plena e afora o palácio ao brigadeiro Pacheco.
  • Ca. 1750 João Leal da Gama Ataíde compra a casa; Diogo Tavares de Ataíde remodela-a em barroco.
  • 1863 A câmara compra o palácio para tribunal e repartição de finanças.
  • 1930 Construção do depósito de água no jardim.
  • 1960 A Escola Técnica de Tavira instala-se no palácio.
  • 1984 A câmara propõe a classificação.
  • 1997-2001 Projeto de José Lamas, obras e abertura como museu em outubro de 2001.
  • 2013 Monumento de Interesse Público, Portaria n.º 888/2013.

Porquê aqui

A colina de Santa Maria é um dos lugares de povoamento mais antigos do Algarve. No jardim atrás do palácio encontraram-se vestígios do Bronze Final, povoamento do século VIII ao século IV a.C. e estruturas escavadas na rocha parecidas com os poços debaixo do átrio. Maia supõe que o próprio templo de Baal ficava onde está a Igreja de Santa Maria, mas isso não foi escavado. O palácio fica a meia encosta do lado norte da colina, com a fachada virada para a cidade e para o rio. Constrói-se onde outros construíram antes.

O que resta

A casa lê-se melhor por camadas. Um portal gótico, uma loggia renascentista, uma fachada barroca de cerca de 1750, um depósito de água de 1930 e uma remodelação de 2001, com poços fenícios no fundo. Nada disto está inteiro, e o barroco comeu quase todo o século XVI. O mais revelador é o referendo de 1999: o arquiteto queria tirar o depósito de água, e a cidade votou por mantê-lo. O museu de Tavira fica numa casa onde até a camada menos bonita pôde ficar.

Há material de pesquisa adicional disponível para este sítio.

Palácio da Galeria

Palácio da Galeria - <a rel="nofollow" class="external text" href="https://www.flickr.com/people/21446942@N00">Vitor Oliveira</a> from Torres Vedras, PORTUGAL 1/5
©Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL (2019)
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Palácio da Galeria - Alegna13, CC BY-SA 3.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0>, via Wikimedia Commons 3/5
©Alegna13, CC BY-SA 3.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0>, via Wikimedia Commons (2008)
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Introdução

Olhe para cima, para o segundo piso. Os três arcos de volta perfeita virados para o rio são a única loggia renascentista do Algarve, o que resta de um palácio urbano da primeira metade do século XVI, e, ao que tudo indica, é deles que a casa tira o nome. O resto é barroco. Por volta de 1750, o desembargador João Leal da Gama Ataíde mandou o mestre construtor Diogo Tavares de Ataíde remodelar a casa, e a loggia ficou. Debaixo do átrio, os arqueólogos encontraram em 2001 poços escavados na rocha, interpretados como poços de culto fenícios do século VII a.C. Desde esse mesmo ano, o palácio é o Museu Municipal de Tavira. Três histórias numa só casa, e só estão ligadas por estarem umas por cima das outras.

Research

Destaques históricos

Os poços debaixo do átrio

Durante as obras de 2001, a equipa de Maria Maia escavou e encontrou um grande número de poços abertos na rocha. A cerâmica neles é fenícia, da segunda metade do século VII a.C. Maia interpretou os poços como sepulturas, mais tarde sacralizadas e usadas como poços de oferendas, bothroi, num santuário de Baal, o deus protetor da navegação. É uma hipótese; Covaneiro e Cavaco escreveram em 2017 que as escavações não a permitem confirmar. O certo é que alguém abriu aqui muitos buracos na rocha há 2700 anos, e que o museu lhes chama poços de culto sem reservas.

A loggia

A alvenaria visível mais antiga é um portal gótico do século XV no edifício vizinho. O palácio propriamente dito é da primeira metade do século XVI, e dele resta a loggia: três arcos de volta perfeita no segundo piso, virados para o rio. Os capitéis parecem-se com os da Igreja da Misericórdia e são por isso atribuídos à oficina de André Pilarte, os canteiros da cidade em meados do século XVI. Que a casa se chame Galeria por causa da loggia é a explicação corrente; nenhuma fonte do século XVI o diz.

O barroco do desembargador

Em 1737 a casa foi parar ao Hospital do Espírito Santo, que a arrendou ao comandante militar da cidade, o brigadeiro Francisco Pereira da Silva Pacheco. Antes de 1753, o desembargador João Leal da Gama Ataíde comprou-a e encarregou Diogo Tavares de Ataíde de a remodelar. A fachada dele é a que se vê: o portal de verga reta em cantaria com caixotões, a janela por cima com frontão curvo interrompido e dois brasões, e, nas traseiras, azulejos barrocos. Os telhados são o mais estranho: muitos pequenos telhados de quatro águas, um sobre cada divisão, três sobre a loggia.

Tribunal, escola, armazém, museu

Morta a filha do desembargador, o palácio degradou-se, e em 1863 o hospital vendeu-o à câmara por 471.675 réis, para tribunal e repartição de finanças. Depois foi escola, e em 1997 parte dele era armazém. Nesse mesmo ano, o arquiteto José Lamas desenhou a remodelação. Um ponto do plano foi chumbado: o depósito de água do jardim, de 1930, devia desaparecer, mas a cidade disse não num referendo em junho de 1999. O museu abriu em outubro de 2001, e em 2013 o palácio passou a Monumento de Interesse Público.

Na prática

Entrada pela Calçada da Galeria. Aberto de terça a sábado das 10h às 13h e das 14h às 16h30, fechado ao domingo, à segunda e aos feriados; confirme no site do museu, os horários mudam. Repare nos capitéis da loggia, nos azulejos da fachada traseira e nos muitos telhados pequenos. Os poços ficam debaixo do átrio; pergunte aos funcionários se podem ser vistos.

Research

Cronologia e contexto

Cronologia

  • 2.ª metade dos anos 600 a.C. Os poços debaixo do átrio são abertos na rocha; a cerâmica é fenícia.
  • Anos 700-300 a.C. Povoamento no jardim atrás do palácio.
  • Anos 1400 Portal gótico no edifício vizinho.
  • 1.ª metade dos anos 1500 Construção do palácio; a loggia é atribuída à oficina de André Pilarte.
  • 1662 O testamento de Antónia de Abranches deixa ao Hospital do Espírito Santo uma renda sobre a casa.
  • 1737 O hospital fica com a posse plena e afora o palácio ao brigadeiro Pacheco.
  • Ca. 1750 João Leal da Gama Ataíde compra a casa; Diogo Tavares de Ataíde remodela-a em barroco.
  • 1863 A câmara compra o palácio para tribunal e repartição de finanças.
  • 1930 Construção do depósito de água no jardim.
  • 1960 A Escola Técnica de Tavira instala-se no palácio.
  • 1984 A câmara propõe a classificação.
  • 1997-2001 Projeto de José Lamas, obras e abertura como museu em outubro de 2001.
  • 2013 Monumento de Interesse Público, Portaria n.º 888/2013.

Porquê aqui

A colina de Santa Maria é um dos lugares de povoamento mais antigos do Algarve. No jardim atrás do palácio encontraram-se vestígios do Bronze Final, povoamento do século VIII ao século IV a.C. e estruturas escavadas na rocha parecidas com os poços debaixo do átrio. Maia supõe que o próprio templo de Baal ficava onde está a Igreja de Santa Maria, mas isso não foi escavado. O palácio fica a meia encosta do lado norte da colina, com a fachada virada para a cidade e para o rio. Constrói-se onde outros construíram antes.

O que resta

A casa lê-se melhor por camadas. Um portal gótico, uma loggia renascentista, uma fachada barroca de cerca de 1750, um depósito de água de 1930 e uma remodelação de 2001, com poços fenícios no fundo. Nada disto está inteiro, e o barroco comeu quase todo o século XVI. O mais revelador é o referendo de 1999: o arquiteto queria tirar o depósito de água, e a cidade votou por mantê-lo. O museu de Tavira fica numa casa onde até a camada menos bonita pôde ficar.

Research

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O texto e a narração foram criados com inteligência artificial — a voz é sintética. O conteúdo é revisto editorialmente, mas podem ocorrer erros.