O casario de Tavira visto do castelo: uma fileira de pequenos telhados piramidais, telhados de tesouro, sobre uma fachada branca. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.
O casario de Tavira visto do castelo: uma fileira de pequenos telhados piramidais, telhados de tesouro, sobre uma fachada branca. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.

Ler uma casa — As casas de Tavira ao longo de 600 anos

Por Flemming Berthelsen8 capítulos90 min

As casas de Tavira parecem tranquilas. Mas atrás das fachadas brancas escondem-se contratos de construção do século XVIII, uma porta gótica esquecida, uma capela num segundo andar e a própria muralha medieval da cidade. Este passeio ensina-o a ler as casas como os historiadores leem os arquivos — pista a pista, rua a rua. No fim, saberá decifrar sozinho qualquer rua da cidade. A narrativa baseia-se na investigação de Sandra Romba e Miguel Reimão Costa.

Capítulo 1

A casa que já passou por tudo

A fila de casas na Praça da República: quatro pisos com varandas e vãos regulares sobre os guarda-sóis dos cafés. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.
A fila de casas na Praça da República: quatro pisos com varandas e vãos regulares sobre os guarda-sóis dos cafés. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.

Coloque-se no meio da Praça da República e olhe para a fila de casas que sobe encostada à colina. Parece estar como sempre esteve — assim se diria. Mas uma destas casas tem um processo no arquivo municipal, e ele conta uma história mais agitada do que a fachada deixa adivinhar.

Nos finais do século XVIII, a casa erguia-se aqui com três pisos e cinco tramos — cinco filas verticais de vãos: portas no rés-do-chão, janelas pequenas ao meio e — coisa invulgar — o piso nobre mesmo no topo, onde os senhores viviam atrás das portas de sacada. A espinha dorsal da casa já então era antiga: a fila está construída encostada à muralha medieval da cidade, e as pedras da muralha continuam dentro das paredes.

Por volta de 1900, a casa ganhou um rosto novo: molduras curvas de gosto barroco, varandas no piso intermédio e, no topo, uma balaustrada vazada com pináculos — a maneira da época de dizer «nós acompanhamos os tempos». Em 1954, a vida moderna instalou-se: o edifício foi dividido em apartamentos com quartos de criada com instalação sanitária própria, uma sala com uma pequena capela foi transformada em quarto, e no rés-do-chão os dois estabelecimentos deram lugar a uma pastelaria e leitaria e a um estabelecimento de modas e alfaiataria. Para abrir espaço às grandes montras, sacrificaram-se paredes mestras, arcos, abóbadas — e parte do maciço da própria muralha. Mais tarde ainda, veio um quarto piso.

Um só corpo construído com vestígios de pelo menos seis séculos. Pelo menos cinco vidas. É a pista número um, a regra em que tudo o que se segue assenta: A fachada mostra apenas a camada mais recente. Este passeio ensina-o a ver as camadas por baixo — e, no fim, saberá ler sozinho qualquer rua da cidade.

Praça da República

Capítulo 2

A linguagem nobre

A casa de gaveto na Rua Gonçalo Velho com a Calçada da Galeria: portas no rés-do-chão e janela de sacada com moldura de cantaria no piso de cima. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.
A casa de gaveto na Rua Gonçalo Velho com a Calçada da Galeria: portas no rés-do-chão e janela de sacada com moldura de cantaria no piso de cima. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.

Está agora na Tavira antiga, intramuros — e aqui as casas falam outra língua. Os notários do século XVIII distinguiam com rigor: *morada de casas térreas* eram as casas de um só piso, *morada de casas altas* as que tinham sobrado. E as casas altas tinham uma gramática que se aprende em cinco minutos.

Olhe para a casa de gaveto onde a Calçada da Galeria encontra a Rua Gonçalo Velho. Em baixo: uma porta simples. Por cima: uma janela de sacada com moldura de cantaria e uma pequena cornija — uma faixa saliente — sobre a verga, a pedra que atravessa o vão. É o módulo — porta em baixo, sacada em cima — e o piso da sacada era o *piso nobre*. A cantaria e a cornija eram sinais de estatuto: a moldura lisa era a solução corrente, a cornija destacava o piso nobre, e a verga dupla era o requinte raro. É a pista número dois: A cantaria em volta das janelas assinala o piso nobre.

Quando o arquiteto levantou o interior da casa, em 1954, encontrou no rés-do-chão quatro dependências separadas por paredes de alvenaria e comunicando entre si por arcos — e um teto em abóbada que o proprietário queria substituir por uma laje de betão «de forma a obter tudo tetos direitos». O projeto mostra como as divisões antigas podiam desaparecer, um projeto de cada vez. Mas o módulo da fachada ainda lá está.

Mais uma coisa pertencia à linguagem nobre: o telhado. Nas casas com *telhado de tesouro*, cada divisão tinha em regra a sua pequena pirâmide, de modo que uma casa grande carregava uma verdadeira cordilheira de telhados. Tavira tem mais deles do que qualquer outra cidade do Algarve. Suba ao pátio do castelo, mesmo ao lado, e olhe sobre a cidade: a cordilheira ainda lá está.

Palácio da Galeria

Capítulo 3

Casa, câmara e quintal

Rua estreita e calcetada junto à igreja de Santiago: fachadas brancas com portas e janelas únicas em compasso ao longo da rua. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.
Rua estreita e calcetada junto à igreja de Santiago: fachadas brancas com portas e janelas únicas em compasso ao longo da rua. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.

Da igreja de Santiago, a Rua das Olarias entra no bairro que outrora se chamou Mouraria. Depois da conquista cristã de Tavira, em 1242, a população muçulmana foi sendo empurrada para a zona extramuros, onde a Mouraria cresceu. Mais tarde, houve olarias domésticas ao longo da Rua das Olarias; os arqueólogos encontraram fornos e produção cerâmica dos séculos XV e XVI.

E as próprias casas? Mostram uma das formas mais comuns de morar em Tavira. A receita de base repete-se num documento notarial atrás do outro: a *casa dianteira* — a divisão da frente, por onde se entrava — e, atrás, a *câmara*, onde se dormia. Ao fundo, um pequeno quintal, por vezes com poço. No modelo do contrato de 1736, as duas divisões e o quintal ocupavam um lote com pouco menos de cinco metros de frente. As paredes eram de taipa, com mais de meio metro de espessura, caiadas de branco. Quando era precisa mais casa, construía-se uma cozinha no quintal — e, a partir da segunda metade do século XIX, a câmara de algumas casas foi dividida por um tabique em duas alcovas sem janelas.

Repare no ritmo da rua: frente estreita, porta e uma janela, frente estreita, porta e uma janela. Cada compasso pode conservar a largura de um lote antigo. Quando o dono de uma das casas da rua pediu obras, em 1944, o arquiteto desenhou primeiro o estado antigo — e ali, por trás das paredes do século XX, lá estavam ainda: duas divisões quase quadradas, à frente e atrás. O telhado e as janelas tinham mudado com os anos, mas a forma de base dos documentos notariais ainda se reconhecia.

É a pista número três: Conte os compassos. As frentes estreitas podem conservar uma divisão do solo que remonta ao fim da Idade Média.

Igreja de Santiago

Capítulo 4

As casas que comeram a muralha

Portal de pedra com verga abatida — possivelmente gótico — embutido na casa de gaveto branca junto à Rua dos Mouros. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.
Portal de pedra com verga abatida — possivelmente gótico — embutido na casa de gaveto branca junto à Rua dos Mouros. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.

A casa de gaveto aqui — Rua Doutor Miguel Bombarda com a Rua dos Mouros — ergue-se perto do sítio onde outrora se abria a Porta do Buraco. A muralha, essa, é difícil de ver. E há uma razão: as casas comeram-na.

Já em meados do século XV a muralha tinha perdido a função militar. A proibição de construir encostado a ela caiu, e torres arruinadas chegaram a ser doadas — para servirem de habitação. Quando o engenheiro Alexandre Massai vistoriou as fortificações, em 1617, anotou secamente que seria difícil recuperá-las: havia «muitas casas pegadas aos muros». A cidade tinha escolhido o seu lado. A casa venceu a fortaleza.

Passaram-se depois trezentos anos, e o pêndulo voltou para trás. Em 1939, as muralhas foram classificadas como monumento nacional, e de repente as casas às costas da muralha ganharam papelada: quando o dono da casa de gaveto quis substituir o velho terraço de madeira por uma laje de betão, em 1963, o processo teve de ser apreciado em relação ao monumento. A resposta da Câmara conserva-se: a pintura *interior* podia decidi-la ele próprio; as fachadas pertenciam às autoridades dos monumentos; e a laje foi aceite porque quase toda a casa conservava os seus telhados de tesouro, e o novo terraço substituía uma varanda e um logradouro existentes.

E agora o melhor: segundo um levantamento de 1970, terá aparecido, durante as obras, um possível portal gótico no lado norte da casa. O registo diz, com cautela, que parecia aguardar restauro. Procure o portal de pedra. É a pista número quatro: A muralha da cidade não desapareceu. Está dentro das casas, à espera de ser encontrada.

Capítulo 5

O bairro das arcadas

O corpo de entrada do Mercado da Ribeira, de 1887: vãos em arco, frontão e balaustrada. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.
O corpo de entrada do Mercado da Ribeira, de 1887: vãos em arco, frontão e balaustrada. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.

O bairro aqui à beira-rio chama-se Ribeira, e foi a idade de ouro da cidade que o construiu. Nos séculos XV e XVI, Tavira era uma das cidades mais importantes do Algarve — porto de abastecimento das praças portuguesas no Norte de África, cheia de nobres, mercadores e, acima de tudo, *mareantes*, os homens do mar, que tinham privilégios régios e, já nos finais do século XV, a sua própria confraria e o seu próprio hospital. O edifício do mercado à sua frente foi inaugurado a 30 de junho de 1887, após dois anos de obras, num largo que se chamava Largo dos Mareantes.

Eis a pista número cinco, a mais fácil de todas: Procure arcos nos pisos térreos. Na Ribeira vivia-se em cima e trabalhava-se em baixo, e os pisos térreos eram armazéns e lojas com amplos vãos em arco, para as mercadorias entrarem e saírem. Em cima ficava o piso nobre com as janelas de sacada — e, atrás, um terraço sobre as construções baixas do quintal. Ainda em 1953, o arquiteto Raul Lino descrevia esta rua, a Rua José Pires Padinha, como «o único local onde se vê uma concentração especializada votada quase na totalidade ao comércio de fazendas, lanifícios, fanqueiro, retroseiro».

Os documentos notariais do século XVIII mostram que os mareantes continuaram a investir nas suas casas do bairro — e os processos de obras do século XX mostram exatamente o que aconteceu depois: vãos antigos alterados, paredes deslocadas para abrir os espaços, grandes montras. Num projeto de 1967, o arquiteto defendeu a substituição de um telhado de tesouro afirmando que «não se vê do exterior». Assim fala cada século a sua própria língua — mas os arcos ainda se veem, se os procurar.

Antigo mercado do peixe

Capítulo 6

A corda e o contrato

O mesmo bairro em dois mapas: em cima, c. 1650, quando o quarteirão da Rua da Silva ainda não existia; em baixo, c. 1797, quando já tinha surgido. Pormenores de Leonardo de Ferrari, Planta de la ciudad de Tavilla [c. 1650-1655], Krigsarkivet/Arquivo Militar Sueco, SE/KrA/0414/0025/0011, e de José de Sande Vasconcelos, Borrão do alçado da planta de Tavira [c. 1797], Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil.
O mesmo bairro em dois mapas: em cima, c. 1650, quando o quarteirão da Rua da Silva ainda não existia; em baixo, c. 1797, quando já tinha surgido. Pormenores de Leonardo de Ferrari, Planta de la ciudad de Tavilla [c. 1650-1655], Krigsarkivet/Arquivo Militar Sueco, SE/KrA/0414/0025/0011, e de José de Sande Vasconcelos, Borrão do alçado da planta de Tavira [c. 1797], Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil.

As ruas aqui são notavelmente direitas. Era exatamente assim que devia ficar um pedaço de urbanismo de 1736, e sabemos com precisão como devia ser executado, porque o contrato está no arquivo distrital de Faro.

Nesse ano, um promotor mandou construir 50 pequenas casas na periferia sudeste da cidade, embora a investigação sugira que nem todas chegaram a erguer-se. O documento prescreve o método: primeiro lançava-se a corda, para que a rua ficasse «sem tortura alguma». Depois marcavam-se os lotes: quatro varas e meia de frente, pouco menos de cinco metros, com a casa dianteira quadrada, a câmara um pouco menos funda e o quintal ao fundo. Fundações de pedra e barro, paredes de taipa caiadas de branco, madeira de bom pinho da Flandres, castanho ou choupo — e o telhado não devia ficar «faminto» de telha. A porta da rua: oito palmos de alto e cinco de largo — 1,76 por 1,10 metros — com o seu postigo e soleira de pedra. A chaminé devia ter «seu armário com portas e suas prateleiras». Para a obra: mestre pedreiro, pedreiro e carpinteiro.

Catorze anos depois, em 1750, encomendaram-se mais onze casas do mesmo tipo. E agora vem o essencial: o quarteirão em volta da Rua da Silva não existe na carta de cerca de 1650, mas já cresceu na carta dos finais do século XVIII — e os seus lotes ainda medem quase exatamente o que o contrato prescrevia. A casa de um processo de obras de 1967 encaixa tão bem que os investigadores por trás desta narrativa consideram que pode muito bem ser uma das onze.

Se a hipótese dos investigadores se confirmar, está numa rua onde o contrato de construção de uma das casas ainda hoje está no arquivo — com as prateleiras da chaminé, com a corda, com tudo. É a pista número seis, e é a mais importante do passeio: As ruas mais anónimas da cidade podem ser as mais bem documentadas.

Capítulo 7

A outra margem

A casa do governador na Rua Jacques Pessoa: fachada azulejada, janelas de verga curva em ritmo regular e platibanda no topo. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.
A casa do governador na Rua Jacques Pessoa: fachada azulejada, janelas de verga curva em ritmo regular e platibanda no topo. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.

O geógrafo Orlando Ribeiro escreveu que Tavira é «a única cidade portuguesa que, nascida no passo de um rio, se estendeu para ambas as margens sem quebra de unidade». A ligação pela ponte é tão íntima que o bairro da margem oposta se designa simplesmente por «Outro Lado».

Atravesse, e olhe depois para a fila de casas à beira-rio, à direita, na Rua Jacques Pessoa. Um desenho de cerca de 1796 mostra precisamente esta fila e põe-lhe nomes: aqui moravam o Governador da Praça, o Provedor, o Juiz de Órfãos. A morada do poder — então com janelas de sacada e telhados de tesouro à maneira clássica.

Mas o que vê hoje é diferente: fachadas azulejadas, janelas de verga curva em ritmo regular e, no topo, uma *platibanda* — o murete baixo que esconde o telhado. É a cara nova do século XIX. Quando a economia melhorou depois de meados do século e a cidade ganhou a sua avenida ribeirinha com mercado e jardim, as fachadas ao longo do rio foram modernizadas: os beirados desapareceram, vieram as platibandas, as janelas foram ordenadas com simetria e as fachadas foram revestidas de azulejo.

Eis a pista número sete: Uma platibanda ornamentada aponta muitas vezes para uma reforma de fachada dos finais do século XIX ou inícios do século XX. Mas data apenas a fachada, não a casa por trás dela. Quando o rés-do-chão da casa do governador foi remodelado, em 1966, as velhas paredes mestras ainda constavam dos desenhos — e tudo indica que os telhados de tesouro também sobreviveram atrás do exterior azulejado. A cara nova era precisamente isso: só uma cara.

Capítulo 8

O que seria desejável não perder

Vista da outra margem, sobre o Gilão, para as casas brancas de Tavira, os pilares da ponte antiga e as torres das igrejas na colina. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.
Vista da outra margem, sobre o Gilão, para as casas brancas de Tavira, os pilares da ponte antiga e as torres das igrejas na colina. Fotografia própria — Flemming Berthelsen, 2026.

Olhe sobre a cidade uma última vez: as fachadas brancas, as janelas de sacada, os telhados de tesouro. Porque é que tudo isto ainda existe?

Três respostas. A primeira é um terramoto: a catástrofe de 1755 arrasou Lisboa e devastou o Algarve ocidental. Também atingiu Tavira — mas aqui, a leste, as consequências foram menos profundas do que no centro e no oeste da região. Muitas estruturas antigas sobreviveram, e o saber-fazer continuou vivo — ainda em meados do século XX, qualquer mestre de obras de Tavira sabia armar um *telhado de tesouro*. A segunda resposta é a estagnação: a partir da segunda metade do século XVI a cidade entrou em declínio, nomeadamente quando as praças norte-africanas perderam importância, os mercadores partiram e o porto assoreou. A longa estagnação limitou as grandes reconstruções e tornou-se, paradoxalmente, um conservante. E a terceira resposta é uma escolha: quando Tavira precisou de um plano de urbanização, depois de 1948, foi escolhido o arquiteto Raul Lino, que, em vez da renovação radical, escreveu que «a cidade tem aspetos típicos que seria desejável não perder» — enquanto os anteplanos vizinhos, para Faro e Olhão, prescreviam a renovação com mão dura. A Câmara seguiu essa linha, e nos anos oitenta veio o plano formal de salvaguarda do centro histórico.

O terramoto, de que a cidade — apesar dos danos — saiu menos ferida do que o Algarve ocidental. A estagnação, que travou as grandes reconstruções. E o plano, que quis preservar. É por isso que hoje pode estar aqui e ler vestígios de mais de 600 anos numa única fila de casas.

E agora sabe fazê-lo: A fachada mostra apenas a camada mais recente — mas as camadas podem ler-se. O compasso das fachadas pode conservar os antigos lotes estreitos. Os arcos apontam para armazéns e comércio. A cantaria assinala o piso nobre. A platibanda aponta muitas vezes para uma reforma de fachada posterior. A muralha esconde-se dentro das paredes, e por baixo de tudo está a corda de 1736, ainda esticada, ainda sem tortura alguma. Boa caminhada — o resto da cidade está à sua espera, pronto para ser lido.

Fontes

  • ROMBA, Sandra & COSTA, Miguel Reimão, «Transformação e permanência da arquitetura doméstica em Tavira do Antigo Regime ao século XX. Uma interpretação a partir das fontes documentais e cartográficas», FOLIUM – Revista do Arquivo Municipal de Tavira
  • Material de arquivo analisado no artigo de origem: Arquivo Distrital de Faro (atos notariais, incluindo os contratos de 1736 e 1750), Arquivo Municipal de Tavira (processos de obras 1906–1970), Direção-Geral do Território, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Central da Universidade do Algarve (Fundo CCDR Algarve), Arquivo Militar Sueco (Krigsarkivet), Fundação Biblioteca Nacional (Brasil), Biblioteca Pública de Évora
  • Adaptação de Flemming Berthelsen, baseada na investigação de Sandra Romba e Miguel Reimão Costa

Última revisão: 4 de agosto de 2026