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Torre de Aires

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Torre de Aires - CorreiaPM, Public domain, via Wikimedia Commons 2/2
©CorreiaPM, Public domain, via Wikimedia Commons (2005)
Torre de Aires
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Introdução

A torre redonda na colina tem três metros de altura e é a única coisa que se vê. Aquilo que se pisa é maior. Debaixo dos campos à volta da torre está Balsa, a cidade romana que Plínio e Ptolomeu referem e que cunhou moeda própria antes de Tavira existir. Viveu aqui gente desde o século I a.C. até ao século VII. A torre veio depois e ficou de pé em cima da cidade. A datação é um palpite, provavelmente a época islâmica; o que é certo é que pertencia à cadeia de torres costeiras que, com fumo de dia e fogo de noite, avisavam dos piratas berberes. Pedra por fora, terra compactada por dentro, cortada. As outras cinco torres da freguesia desapareceram.

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Destaques históricos

Balsa, a cidade debaixo dos campos

Balsa era a cidade romana desta costa. Mela, Plínio e Ptolomeu referem-na, e já cunhava moeda no século I a.C. O apogeu foi curto, os séculos I e II; depois veio o declínio, e no século VII o sítio estava abandonado. O centro da cidade ficava na colina onde hoje está a Quinta da Torre de Aires, numa plataforma artificial, provavelmente o fórum. Na Quinta das Antas escavaram-se tanques de salga de peixe. Tudo está debaixo da camada arável.

A torre em cima da cidade

A torre é redonda, ligeiramente cónica, com cerca de três metros de altura. A casca é pedra irregular argamassada, o núcleo terra compactada, tipo taipa. Quando foi construída, ninguém sabe. O registo oficial chama-lhe islâmica, algures entre os séculos VIII e XIII, e escreve ele próprio "conjectural". A história da torre que guarda a cidade romana é melhor. Só que a cidade estava abandonada quando a torre foi erguida, escolha-se o século que se escolher.

Fumo de dia, fogo de noite

O que a torre fez de certeza foi vigiar. Fazia parte de uma longa linha de torres ao longo da costa que avisavam as populações quando piratas berberes vindos do Norte de África desembarcavam. De dia com colunas de fumo, de noite com fogo. Segundo uma descrição do século XVI, no verão a costa era vigiada dia e noite. O nome é da mesma época: Aires Gonçalves era dono das terras e ainda vivia em 1617.

Seis torres, uma de pé

Em 1758 o pároco Vicente Nunes Leal escreveu sobre as torres da freguesia. Tinha havido "seis torres feitas à antiga, com muita altura". Três caíram no terramoto de 1 de novembro de 1755, de outras duas só havia vestígios, e ficou uma, a Torre de Aires Gonçalves, e essa tinha sido cortada. Quando e porquê, não diz. Em 1996 a torre estava prestes a ruir por completo e foi consolidada. O topo foi nivelado, à exceção de um pequeno ressalto, que se deixou ficar para mostrar que a torre tinha sido mais alta. Em 2008 seguiram-se a envolvente e a marginal.

Na prática

A torre é municipal e está isolada no Parque Natural da Ria Formosa, junto à marginal de 2008. Repare na alvenaria: pedra argamassada por fora, terra compactada por dentro. O ressalto no topo não é ruína, foi deixado de propósito. Balsa fica debaixo dos campos cultivados em redor, em terreno privado, e não há nada da cidade que se veja no terreno. Os achados estiveram expostos no Palácio da Galeria, em Tavira, em 2024-25; o catálogo chama-se "Balsa, Cidade Romana".

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Cronologia e contexto

Cronologia

  • Séc. I a.C. – Balsa cunha moeda própria; o testemunho mais antigo do nome.
  • Sécs. I-II – Apogeu; direito latino sob Vespasiano; salga de peixe na Quinta das Antas.
  • Sécs. III-VII – Declínio; o sítio é abandonado o mais tardar no século VII.
  • Sécs. VIII-XIII – A torre é erguida, provavelmente na época islâmica; um palpite.
  • Finais do séc. XVI – O nome Torre de Aires, do dono das terras Aires Gonçalves.
  • 1755 – O terramoto derruba três das seis torres da freguesia; em 1758 só resta esta, cortada.
  • 1866 – Estácio da Veiga identifica Balsa com as quintas da Torre d'Ares.
  • 1978 – Um bulldozer passa pelas ruínas.
  • 1992 – Parte de Balsa é classificada como Imóvel de Interesse Público.
  • 1996 – A torre é consolidada, o topo nivelado; envolvente e marginal em 2008.
  • 2019-22 – A Universidade do Algarve escava; os limites da cidade são definidos.
  • 2024-25 – A exposição "Balsa, Cidade Romana" no Palácio da Galeria.

Porque é que a cidade ficava aqui

Balsa ficava junto à ria, na via que seguia ao longo da costa, a 16 milhas romanas de Ossonoba e a cerca de 24 de Besuris, em Castro Marim. A ria dava peixe e sal, e era do peixe salgado que a cidade vivia. Os arqueólogos situam o centro da cidade na colina onde está a Quinta da Torre de Aires, com uma plataforma artificial que provavelmente suportava o fórum. Muitas centenas de anos depois, alguém ergueu uma atalaia na mesma colina. Dificilmente é coincidência. A colina que servia para um fórum também servia para avistar piratas.

O que resta

Da torre: três metros. Da cidade: quase nada acima do solo. As terras são privadas e intensamente cultivadas desde meados do século XX, um bulldozer passou pelas ruínas em 1978, e em 2015 foram travadas estufas de morangos no local. A maior parte do que se sabe do traçado de Balsa vem da geomagnética e do georradar desde 2017, não da enxada. Mostraram que a cidade era muito mais pequena do que se pensava; o que se tomava por malha urbana eram villae à volta. O sítio é mais interessante do que parece. A torre está aqui porque ficou de pé. A cidade, porque a maior parte dela nunca foi escavada.

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