Uma fachada comprida de sete vãos, um portão com uma pedra de armas militar por cima e, em cada canto virado a norte, um torreão esguio com telhado de mansarda. A lápide sobre o portão diz que a rainha D. Maria I mandou construir o quartel em 1795 para o regimento que havia de guarnecer a cidade. O texto da classificação chama-lhe um dos quartéis mais antigos do país, e continua a ser militar, por isso não se entra. O surpreendente é o tempo que levou a existir. As obras pararam pouco depois de 1795, o edifício meio feito foi hospital de coléricos em 1833, os trabalhos foram retomados em 1856 e só por volta de 1900 os soldados se instalaram.
Por volta de 1780, o regimento de infantaria do Algarve foi transferido de Faro para Tavira, e o governador, o conde de Val de Reis, pressionou a corte para ter um quartel que o alojasse condignamente. A inscrição sobre o portão dá-lhe o mérito: construído em 1795 no reinado de D. Maria I, a instâncias dele e sob a sua direção. Quem desenhou o projeto, não se sabe. O SIPA escreve desconhecido; a câmara aponta para o coronel engenheiro José de Sande Vasconcelos, que tinha trabalhado em Vila Real de Santo António e que em 1795, por ordem do governador, desenhou um hospital militar para Tavira. É um bom palpite, nada mais.
Segundo a câmara, as obras pararam pouco depois de 1795 e só foram retomadas em 1856. Pelo meio ficaram as invasões francesas, a fuga da corte para o Brasil, a implantação do liberalismo e a guerra civil. Entretanto os soldados viviam em casas particulares na cidade e, a partir de 1835, no extinto Convento de Nossa Senhora da Graça. O edifício inacabado teve uso na mesma: durante a epidemia de cólera de 1833 serviu de hospital para os doentes civis da cidade. Só ficou concluído no início dos anos 1900, e só então a guarnição de Tavira se mudou para lá. Por isso a data sobre o portão engana um pouco. 1795 é o ano em que se começou.
As unidades da cidade mudaram de nome mais vezes do que o edifício mudou de forma. O Regimento de Infantaria 14 foi extinto por volta de 1837, depois de ter apoiado D. Miguel na guerra civil. Vieram depois os batalhões de Caçadores 5 e 4; o último mandou homens para as colunas de Mousinho de Albuquerque em 1895, e segundo o Povo Algarvio (1960) o rei D. Carlos disse em 1897 que era uma honra estar num quartel com tantos bravos vindos de África. A partir de 1939 o quartel formou sargentos milicianos, desde 1948 como unidade CISMI, até 1975. Em 2008 instalou-se o Regimento de Infantaria 1, que em 2015 seguiu para Beja. Ficaram cerca de 50 homens.
O quartel continua em uso e depende do Ministério da Defesa, por isso vê-se de fora, da Rua Poeta Isidoro Pires e da Rua 9 de Abril. Repare no portão com a pedra de armas, na janela elíptica e na lápide por cima, e nos dois torreões de canto com telhado de mansarda virados a norte. Nas traseiras do edifício há um portão de ferro e uma guarita redonda. Os portões abrem-se de vez em quando para exposições; em 2024 a câmara e o regimento mostraram aqui as fotografias de Alfredo Cunha do 25 de Abril de 1974, de graça, de terça a sábado durante sete meses.
Atalaia quer dizer posto de vigia. O Largo da Atalainha e o Largo da Atalaia já existiam antes do quartel; Sande Vasconcelos desenhou uma planta do primeiro para o governador por volta de 1790-95. O que se vigiava, nenhuma das fontes consultadas diz. O terreno era a antiga Quinta da Atalaia, campos e hortas na periferia da cidade, e o quartel pertence à expansão de Tavira que se seguiu à mudança do governador de Lagos para cá, depois de 1755. Quando o Exército mandou acompanhar arqueologicamente o terreno em 2008, não se encontrou nada.
O invulgar no Quartel da Atalaia é que continua a servir para aquilo para que foi construído. O plano de reforma do Exército de 2014 queria fechá-lo, mas o plano foi anulado depois da mudança de governo em 2015, e o destacamento ficou. Um artigo de opinião no Postal do Algarve, em 2021, lembrava que em 2008 se tinha falado de hotel, universidade e centro comercial, e propunha uma escola de bombeiros. Por enquanto é um quartel com cerca de 50 homens e um portão que se abre de vez em quando para uma exposição.