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Monumento aos Combatentes da Grande Guerra

Monumento aos Combatentes da Grande Guerra - <a rel="nofollow" class="external text" href="https://www.flickr.com/people/21446942@N00">Vitor Oliveira</a> from Torres Vedras, PORTUGAL 1/2
©Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL (2019)
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©Jose A. (2021)
Monumento aos Combatentes da Grande Guerra
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Introdução

No meio da Praça da República, em frente aos Paços do Concelho, ergue-se uma coluna quadrada de calcário com quatro espadas de bronze ao longo dos lados e uma chama esculpida em pedra no topo. É o monumento de Tavira aos mortos da Primeira Guerra Mundial, antes de mais aos homens do 3.º Batalhão do Regimento de Infantaria n.º 4, recrutados no Algarve, instruídos em Tavira e mortos na Flandres. A cidade pagou-o ela própria. O dinheiro veio de três anos de festas da cidade, o presidente Carmona assentou a primeira pedra em fevereiro de 1932 e a inauguração foi a 9 de abril de 1933, aniversário da batalha de La Lys. Nenhuma estátua, nenhum soldado. Foi uma escolha, e continua a ser isso que faz a coluna merecer uma paragem.

Research

Destaques históricos

Primeiro uma lápide no quartel

No Quartel da Atalaia instruiu-se o 3.º Batalhão do Regimento de Infantaria n.º 4 antes de ser enviado para a Flandres. 51 homens não voltaram a casa, 48 caíram na Flandres e 3 em Moçambique. Os seus nomes foram gravados numa lápide no átrio do quartel, descerrada a 10 de junho de 1920. Mas uma lápide atrás do portão de um quartel não é coisa que a cidade veja. No final dos anos 1920 cresceu o desejo de um monumento que homenageasse os mortos "condignamente", como escreve o historiador da cidade Anica.

Três anos de festas

A câmara não tinha o dinheiro. Então a cidade fez festa. As Festas da Cidade realizaram-se três verões seguidos, de 1930 a 1932, e o lucro foi para o monumento; a Comissão Administrativa da câmara, presidida por João Parreira, prometeu custear o resto. O projeto foi entregue ao tavirense Alberto Ponce de Castro, a quem as fontes chamam ora alferes, ora arquiteto, ora engenheiro. Quem mais ele era, ninguém sabe ao certo.

O dia com o presidente

A 16 de fevereiro de 1932 o presidente Óscar Carmona veio a Tavira, e os jornais vieram com ele. A cidade estava embandeirada, havia colchas nas janelas e atiravam-se flores sobre a comitiva. O auto da primeira pedra foi encerrado na pedra juntamente com uma coleção das moedas da época, e foi o próprio Carmona que argamassou. Depois condecorou o canteiro José Maria Bento, de 70 anos, e o marítimo Francisco Laranjo, de 75. Os dois choravam, escreveu o jornal, enquanto dois hidroaviões vindos de Faro sobrevoavam a praça.

Pedra, bronze e nenhuma estátua

O ministro da Guerra Daniel Rodrigues de Sousa inaugurou a coluna a 9 de abril de 1933. Sobre um plinto de três degraus ergue-se um fuste quadrado de calcário que, no alto, se transforma num feixe de cilindros, canos de espingarda enlaçados por duas fitas, e no cimo uma chama em pedra. Quatro espadas de bronze estão verticais em ranhuras nos lados, com os punhos unidos por grinaldas de bronze de folhas e frutos. No plinto, as armas de Tavira e as armas nacionais, e por baixo, em bronze: AOS MORTOS DA GRANDE GUERRA A CIDADE DE TAVIRA. Segundo a historiadora de arte Laranjo, é um de apenas três monumentos do tempo de Salazar no Algarve sem estátua nem busto.

Na prática

A coluna está ao ar livre na praça a qualquer hora. Procure a placa de 1968 no degrau de baixo, do cinquentenário do armistício, e as grinaldas entre os punhos das espadas. Em 1932 Ponce de Castro desenhou também o pavimento em redor da coluna: uma espada em pedra negra na calçada clara. Olhe para o chão e veja se ainda lá está. Todos os anos, a 9 de abril, o núcleo de Tavira da Liga dos Combatentes faz aqui uma cerimónia, nos últimos anos em conjunto com a Royal British Legion.

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Cronologia e contexto

Cronologia

  • 1910 A praça recebe o nome de Praça da República, depois de se ter chamado Ribeira e Constituição.
  • 9 de abril de 1918 Batalha de La Lys, na Flandres.
  • 10 de junho de 1920 É descerrada no Quartel da Atalaia uma lápide com 51 nomes (48 da Flandres, 3 de Moçambique).
  • 1923 É fundado o núcleo de Tavira da Liga dos Combatentes, um dos primeiros da associação.
  • 1926 A Rua do Ribeirinho passa a chamar-se Rua dos Combatentes da Grande Guerra.
  • 1930-32 As Festas da Cidade juntam o dinheiro; a câmara, sob João Parreira, garante o resto.
  • 16 de fevereiro de 1932 O presidente Carmona assenta a primeira pedra com uma coleção de moedas lá dentro.
  • 1932 Ponce de Castro desenha o pavimento em redor da coluna com uma espada em pedra negra.
  • 9 de abril de 1933 O ministro da Guerra Daniel Rodrigues de Sousa inaugura o monumento.
  • 1968 Os antigos combatentes colocam uma placa no degrau de baixo para o cinquentenário do armistício.
  • 2007 Ricardo Agarez regista o monumento no inventário do SIPA.
  • 2023 O núcleo de Tavira da Liga dos Combatentes faz 100 anos.
  • 2024-25 A cerimónia de 9 de abril realiza-se junto ao monumento com a Royal British Legion.

Porquê no meio da praça

A Praça da República foi durante séculos a praça do mercado da cidade, um triângulo com os Paços do Concelho a nascente e a ponte a norte. A coluna está no centro geométrico da praça. A cidade queria os mortos fora do quartel e ali, por onde toda a gente passa. O monumento não tem classificação própria; fica dentro da zona de proteção da Igreja da Misericórdia e está inscrito no inventário do SIPA. É propriedade da câmara, como o presidente da câmara prometeu em 1932.

Um monumento sem rosto

A coluna é do tipo padrão, um monumento sem figura. Canos de espingarda, espadas, chama e dois brasões, nenhum soldado e nenhum nome; os nomes estão no quartel. Continua em uso: a Liga dos Combatentes faz aqui a sua cerimónia de La Lys todos os anos a 9 de abril, enquanto a homenagem de 2 de novembro decorre no Talhão dos Combatentes, no cemitério. A cidade que juntou o dinheiro a festejar durante três verões é a melhor parte da história, e é verdadeira.

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