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Tavira

Jardim do Coreto

O jardim mais antigo de Tavira, de 1890, em redor de um coreto de ferro fundido do Porto.

Flemming Berthelsen
© Flemming Berthelsen (2025)

Períodos

IndustrialModernaContemporâneo

Etiquetas

Para FamíliasPontos FotográficosVista PanorâmicaLugar TranquiloJardimRioAcessível para Cadeira de Rodas

Horário

Acesso livre O local fica no espaço público e pode ser visitado a qualquer hora.

Site

https://cm-tavira.pt/site/ambiente/jardins-historicos/

Introdução

O coreto no meio do jardim é de ferro fundido do Porto. O desenho é de 1888, as peças de ferro chegaram de vapor a Olhão em janeiro de 1890 e fizeram o último troço por terra, e o jardim à sua volta foi inaugurado no fim desse mesmo ano. É o jardim público mais antigo de Tavira, traçado na margem direita do rio junto ao novo mercado, nos anos em que a cidade ganhou também caminho de ferro e margens muradas. A ideia foi do presidente da Câmara José Pires Padinha, e o distrito era contra. Desde 1944 o coreto está dentro de um pequeno lago com peixes e tartarugas, e as palmeiras deram ao jardim o seu outro nome, Jardim das Palmeiras. Venha pelo fado no verão, ou só pela sombra.

Destaques históricos

Um negociante faz a sua vontade

Em 1886 o presidente da Câmara, José Pires Padinha, negociante abastado, teve a ideia de que Tavira devia ter um jardim na margem direita do rio. A Junta Geral do Distrito levantou objeções; o arquivo escreve que ele, teimosamente, levou o projeto avante na mesma. O terreno não estava vazio antes. Aqui tinham ficado a Ermida do Loreto e o palácio da família Corte-Real, ambos demolidos, e os arqueólogos consideram provável que as antigas tercenas da cidade se situassem aqui; vestígios de habitação não encontraram. As obras começaram em 1890, e o jardim foi inaugurado no fim do ano.

Ferro do Porto

O coreto é octogonal e foi fundido na Fundição do Ouro, no Porto. O desenho é a tinta da china e está datado de 1888; quem o desenhou, não se sabe. A 11 de janeiro de 1890 a fundição escreveu que o coreto tinha seguido de vapor para Olhão, e a ata da Câmara de 15 de janeiro diz que o resto do caminho foi por terra. 1890 é também o ano em que Fernando Pessoa fez nascer em Tavira o seu heterónimo Álvaro de Campos, e o Arquivo Municipal escreveu em 2016 que "o progresso em Tavira assinalou-se … pela chegada do coreto". Ferro de uma fábrica como sinal do progresso da cidade. É uma leitura honesta.

Linhas retas, um lago e dois bustos

O primeiro jardim tinha caminhos sinuosos. Por volta de 1913, o ano é uma estimativa, foram substituídos por uma alameda central reta, que só o coreto interrompe. Em 1944 o coreto ganhou um lago à sua volta, com peixes, tartarugas, rochas e plantas. É uma ideia estranha e boa. No mesmo ano inaugurou-se o busto em bronze, de Raul Xavier, do matemático António Cabreira, nascido em Tavira em 1868, nas suas bodas de ouro académicas e com o próprio presente; ele doou a casa onde nasceu ao município, e hoje é o arquivo municipal. Em 1961 juntou-se-lhe o busto, também de Xavier, do poeta e político local Isidoro Manuel Pires.

Na prática

O jardim é municipal e está sempre aberto; a morada é Rua José Pires Padinha, nome do homem que o quis. O Mercado da Ribeira fica no extremo sul. Repare na planta octogonal e nas linhas suaves do ferro, nas tartarugas do lago, nos dois bustos e na inscrição em memória do músico e poeta Sebastião Leiria. As árvores são tamareiras, palmeiras-das-canárias, choupos-brancos e lódãos. No verão a Câmara organiza no jardim o Fado no Coreto e o baile de verão; a feira do livro e a feira dos ofícios, essas, são na Rua do Cais.

Cronologia e contexto

Cronologia

  • Antes do século XIX – A Ermida do Loreto e o palácio dos Corte-Real ficam entre a Rua Direita e o rio; as tercenas da cidade situavam-se provavelmente aqui.
  • 1886 O presidente da Câmara José Pires Padinha tem a ideia de um jardim junto ao rio; o distrito é contra.
  • 1887 O Mercado da Ribeira é inaugurado no extremo sul do jardim.
  • 1888 Desenho a tinta da china do coreto; o autor é desconhecido.
  • Janeiro de 1890 As peças de ferro seguem de vapor do Porto para Olhão e continuam por terra.
  • 1890 Começam as obras; o jardim é inaugurado no fim do ano.
  • c. 1913 Os caminhos sinuosos dão lugar a uma alameda central reta; o ano é uma estimativa.
  • 1944 Lago à volta do coreto; o busto de António Cabreira, de Raul Xavier, é inaugurado na sua presença.
  • 1961 Busto do poeta e político local Isidoro Manuel Pires, também de Raul Xavier.
  • 1976 Viana Barreto e Edgar Fontes elaboram um projeto de remodelação do jardim e da Praça da República.
  • 2016 O arquivo municipal celebra o ano de nascimento de Álvaro de Campos com a chegada do coreto como sinal de progresso.
  • 2025 Fado no Coreto e baile de verão.

Porque é que o jardim fica aqui

A margem entre a Rua Direita e o rio era o lado de trabalho da cidade, não o seu lado nobre. Capela e palácio senhorial foram demolidos, e na década de 1880 Tavira ganhou em poucos anos caminho de ferro, um mercado novo, margens muradas e depois o jardim. Escavações na Rua José Pires Padinha encontraram camadas de aterro que provavelmente datam da construção do jardim e do muro. Elevou-se a margem e pôs-se um jardim por cima. Mercado e jardim pertencem um ao outro: um para os dias de semana, o outro para o domingo, ambos virados para o rio.

O que resta

O coreto é o de 1890. O resto é mais recente: a alameda de cerca de 1913, a calçada, o lago de 1944, os bustos. O jardim não está classificado por si só, mas fica dentro do núcleo urbano histórico inventariado. O mais importante é que continua a servir para aquilo para que foi construído. As bandas de música tocaram aqui durante décadas, e no verão há fado no coreto. Um jardim em uso está mais bem conservado do que um que é apenas cuidado.

Há material de pesquisa adicional disponível para este sítio.

Jardim do Coreto

Jardim do Coreto - Flemming Berthelsen 1/8
©Flemming Berthelsen (2025)
Jardim do Coreto - Postal Tabacaria Popular (Tavira) «Jardim – Tavira», circulado em 1918 · Col. Jaime da Silva · <a href="https://arquivo.pt/noFrame/replay/20240512220213/http://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/postais/Tavira01.htm">Aveiro e Cultura – Arquivo Digital</a> 2/8
©Postal Tabacaria Popular (Tavira) «Jardim – Tavira», circulado em 1918 · Col. Jaime da Silva · Aveiro e Cultura – Arquivo Digital (1918)
Jardim do Coreto - Postal Tabacaria Popular (Tavira) «Jardim de Tavira», circulado em 1918 · Col. Jaime da Silva · <a href="https://arquivo.pt/noFrame/replay/20240512220213/http://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/postais/Tavira01.htm">Aveiro e Cultura – Arquivo Digital</a> 3/8
©Postal Tabacaria Popular (Tavira) «Jardim de Tavira», circulado em 1918 · Col. Jaime da Silva · Aveiro e Cultura – Arquivo Digital (1918)
Jardim do Coreto - Postal Tabacaria Popular (Tavira) «Rio Gilão», circulado em 1918 · Col. Jaime da Silva · <a href="https://arquivo.pt/noFrame/replay/20240512220213/http://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/postais/Tavira01.htm">Aveiro e Cultura – Arquivo Digital</a> 4/8
©Postal Tabacaria Popular (Tavira) «Rio Gilão», circulado em 1918 · Col. Jaime da Silva · Aveiro e Cultura – Arquivo Digital (1918)
Jardim do Coreto - Postal M. & R. (Lisboa) n.º 152 «Jardim Publico e rio Gilão», c. 1909 · Col. A. Monge da Silva · <a href="https://arquivo.pt/noFrame/replay/20240512221721/http://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/Postais4/Tavira02.htm">Aveiro e Cultura – Arquivo Digital</a> 5/8
©Postal M. & R. (Lisboa) n.º 152 «Jardim Publico e rio Gilão», c. 1909 · Col. A. Monge da Silva · Aveiro e Cultura – Arquivo Digital (1909)
Jardim do Coreto - Jose A., CC BY 2.0, Wikimedia Commons (Bandstand in Jardim Público de Tavira.jpg) 6/8
©Jose A. (2016)
Jardim do Coreto - Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0, Wikimedia Commons (Jardim do Coreto - Tavira - Portugal (10429537773).jpg) 7/8
©Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL (2019)
Jardim do Coreto - Dubas from Oviedo, España, CC BY-SA 2.0, Wikimedia Commons (Faro 100 8376 (3833438322).jpg) 8/8
©Dubas from Oviedo, España (2014)
Jardim do Coreto
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Para FamíliasPontos FotográficosVista PanorâmicaLugar TranquiloJardimRioAcessível para Cadeira de Rodas

Introdução

O coreto no meio do jardim é de ferro fundido do Porto. O desenho é de 1888, as peças de ferro chegaram de vapor a Olhão em janeiro de 1890 e fizeram o último troço por terra, e o jardim à sua volta foi inaugurado no fim desse mesmo ano. É o jardim público mais antigo de Tavira, traçado na margem direita do rio junto ao novo mercado, nos anos em que a cidade ganhou também caminho de ferro e margens muradas. A ideia foi do presidente da Câmara José Pires Padinha, e o distrito era contra. Desde 1944 o coreto está dentro de um pequeno lago com peixes e tartarugas, e as palmeiras deram ao jardim o seu outro nome, Jardim das Palmeiras. Venha pelo fado no verão, ou só pela sombra.

Research

Destaques históricos

Um negociante faz a sua vontade

Em 1886 o presidente da Câmara, José Pires Padinha, negociante abastado, teve a ideia de que Tavira devia ter um jardim na margem direita do rio. A Junta Geral do Distrito levantou objeções; o arquivo escreve que ele, teimosamente, levou o projeto avante na mesma. O terreno não estava vazio antes. Aqui tinham ficado a Ermida do Loreto e o palácio da família Corte-Real, ambos demolidos, e os arqueólogos consideram provável que as antigas tercenas da cidade se situassem aqui; vestígios de habitação não encontraram. As obras começaram em 1890, e o jardim foi inaugurado no fim do ano.

Ferro do Porto

O coreto é octogonal e foi fundido na Fundição do Ouro, no Porto. O desenho é a tinta da china e está datado de 1888; quem o desenhou, não se sabe. A 11 de janeiro de 1890 a fundição escreveu que o coreto tinha seguido de vapor para Olhão, e a ata da Câmara de 15 de janeiro diz que o resto do caminho foi por terra. 1890 é também o ano em que Fernando Pessoa fez nascer em Tavira o seu heterónimo Álvaro de Campos, e o Arquivo Municipal escreveu em 2016 que "o progresso em Tavira assinalou-se … pela chegada do coreto". Ferro de uma fábrica como sinal do progresso da cidade. É uma leitura honesta.

Linhas retas, um lago e dois bustos

O primeiro jardim tinha caminhos sinuosos. Por volta de 1913, o ano é uma estimativa, foram substituídos por uma alameda central reta, que só o coreto interrompe. Em 1944 o coreto ganhou um lago à sua volta, com peixes, tartarugas, rochas e plantas. É uma ideia estranha e boa. No mesmo ano inaugurou-se o busto em bronze, de Raul Xavier, do matemático António Cabreira, nascido em Tavira em 1868, nas suas bodas de ouro académicas e com o próprio presente; ele doou a casa onde nasceu ao município, e hoje é o arquivo municipal. Em 1961 juntou-se-lhe o busto, também de Xavier, do poeta e político local Isidoro Manuel Pires.

Na prática

O jardim é municipal e está sempre aberto; a morada é Rua José Pires Padinha, nome do homem que o quis. O Mercado da Ribeira fica no extremo sul. Repare na planta octogonal e nas linhas suaves do ferro, nas tartarugas do lago, nos dois bustos e na inscrição em memória do músico e poeta Sebastião Leiria. As árvores são tamareiras, palmeiras-das-canárias, choupos-brancos e lódãos. No verão a Câmara organiza no jardim o Fado no Coreto e o baile de verão; a feira do livro e a feira dos ofícios, essas, são na Rua do Cais.

Research

Cronologia e contexto

Cronologia

  • Antes do século XIX – A Ermida do Loreto e o palácio dos Corte-Real ficam entre a Rua Direita e o rio; as tercenas da cidade situavam-se provavelmente aqui.
  • 1886 O presidente da Câmara José Pires Padinha tem a ideia de um jardim junto ao rio; o distrito é contra.
  • 1887 O Mercado da Ribeira é inaugurado no extremo sul do jardim.
  • 1888 Desenho a tinta da china do coreto; o autor é desconhecido.
  • Janeiro de 1890 As peças de ferro seguem de vapor do Porto para Olhão e continuam por terra.
  • 1890 Começam as obras; o jardim é inaugurado no fim do ano.
  • c. 1913 Os caminhos sinuosos dão lugar a uma alameda central reta; o ano é uma estimativa.
  • 1944 Lago à volta do coreto; o busto de António Cabreira, de Raul Xavier, é inaugurado na sua presença.
  • 1961 Busto do poeta e político local Isidoro Manuel Pires, também de Raul Xavier.
  • 1976 Viana Barreto e Edgar Fontes elaboram um projeto de remodelação do jardim e da Praça da República.
  • 2016 O arquivo municipal celebra o ano de nascimento de Álvaro de Campos com a chegada do coreto como sinal de progresso.
  • 2025 Fado no Coreto e baile de verão.

Porque é que o jardim fica aqui

A margem entre a Rua Direita e o rio era o lado de trabalho da cidade, não o seu lado nobre. Capela e palácio senhorial foram demolidos, e na década de 1880 Tavira ganhou em poucos anos caminho de ferro, um mercado novo, margens muradas e depois o jardim. Escavações na Rua José Pires Padinha encontraram camadas de aterro que provavelmente datam da construção do jardim e do muro. Elevou-se a margem e pôs-se um jardim por cima. Mercado e jardim pertencem um ao outro: um para os dias de semana, o outro para o domingo, ambos virados para o rio.

O que resta

O coreto é o de 1890. O resto é mais recente: a alameda de cerca de 1913, a calçada, o lago de 1944, os bustos. O jardim não está classificado por si só, mas fica dentro do núcleo urbano histórico inventariado. O mais importante é que continua a servir para aquilo para que foi construído. As bandas de música tocaram aqui durante décadas, e no verão há fado no coreto. Um jardim em uso está mais bem conservado do que um que é apenas cuidado.

Research

Antes e agora

Arraste a linha divisória para ver o lugar como era e como é hoje. As duas fotografias foram tiradas do mesmo ponto.

2025191819182025

Par provisório: a fotografia atual ainda não foi tirada do ponto de vista do postal.

Antes: 1918 · Postal Tabacaria Popular (Tavira) «Rio Gilão», circulado em 1918 · Col. Jaime da Silva · Aveiro e Cultura – Arquivo Digital

Agora: 2025 · Flemming Berthelsen

Conteúdo gerado por IA

O texto e a narração foram criados com inteligência artificial — a voz é sintética. O conteúdo é revisto editorialmente, mas podem ocorrer erros.