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Ermida de São Lázaro (Nossa Senhora do Livramento)

Ermida de São Lázaro (Nossa Senhora do Livramento) - Flemming Berthelsen 1/7
©Flemming Berthelsen (2022)
Ermida de São Lázaro (Nossa Senhora do Livramento) - Flemming Berthelsen 2/7
©Flemming Berthelsen (2025)
Ermida de São Lázaro (Nossa Senhora do Livramento) - RicardoFilipePereira, CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons 3/7
©RicardoFilipePereira, CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons (2018)
Ermida de São Lázaro (Nossa Senhora do Livramento) - Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0>, via Wikimedia Commons 4/7
©Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0>, via Wikimedia Commons (2017)
Ermida de São Lázaro (Nossa Senhora do Livramento) - Flemming Berthelsen 5/7
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Ermida de São Lázaro (Nossa Senhora do Livramento)
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Introdução

A pequena ermida na margem esquerda do Gilão é a única em Tavira com azulejos em toda a fachada. É mais antiga do que os azulejos sugerem. A primeira vez que é mencionada é em 1518, quando os visitadores da Ordem de Santiago escreveram que o próprio povo a tinha erguido por devoção. Era dedicada a São Lázaro, o santo a quem se rezava contra a peste. A partir de finais do século XVII, os pescadores e marítimos da cidade adotaram-na sob o nome de Nossa Senhora do Livramento, e nas paredes do interior estão os seus quadros de agradecimento por salvamentos no mar. A ermida está quase sempre fechada, mas pelas duas pequenas janelas da fachada pode espreitar-se para dentro.

Research

Destaques históricos

Erguida pelo povo

A ermida fica onde começou o povoamento da margem esquerda, junto à antiga via de entrada vinda de leste. A rua chamava-se Rua de São Lázaro, por causa da ermida, até passar a ser a Rua Almirante Cândido dos Reis. O guia da Câmara data-a do século XV, com um ponto de interrogação. O documento mais antigo é uma visitação da Ordem de Santiago, de 1518, que escreve que a ermida "foi erguida pelo povo por devoção". Nenhum fundador, nenhum fidalgo, nenhuma ordem. O padroeiro era São Lázaro, invocado contra a peste e as epidemias.

O hospital de leprosos que talvez nunca ali tenha existido

Toda a gente o conta: a ermida pertencia a um hospital de leprosos na periferia da vila. O historiador Marco Sousa Santos, que escreveu a monografia da ermida em 2018, não encontra um único documento por trás da afirmação. Segue-lhe o rasto até um religioso do início do século XVIII, Frei Agostinho de Santa Maria, que dificilmente teria estado em Tavira. E a localização encaixa mal; os hospitais de leprosos ficavam o mais afastado possível da povoação, ao passo que a ermida fica mesmo em frente do núcleo urbano. Santos vê-a antes como uma de três ermidas contra a peste em redor da cidade, juntamente com São Sebastião e São Roque. Menos comovente, mas condiz com o mapa.

A ermida dos marítimos

A partir de finais do século XVII, a ermida era conhecida como Nossa Senhora do Livramento, culto promovido sobretudo pelos marítimos. Foi reconstruída em 1698, quando eram os pescadores quem a frequentava. No início do século XVIII, um grupo deles fundou uma confraria, que acabou por tomar posse da ermida. São Lázaro ficou, porém, no altar-mor. A fachada é da mesma época, com o ano de 1715 gravado na verga do portal; os azulejos que a cobrem toda são do século XIX. No interior, tudo é abobadado, e há três retábulos do século XVIII. A imagem de madeira da Senhora terá sido, segundo a tradição, encontrada no mar.

Pintados em agradecimento

Nas paredes estão os ex-votos, pequenas pinturas sobre madeira, oferecidas por marítimos que escaparam com vida a uma tempestade. As inscrições são concretas: "O Lagarto" ao largo da Arrifana em janeiro de 1822, "Sacramento e Conceição" de Málaga em 1837, a barca "S. João Baptista", naufragada ao largo de Quarteira em 1876, o hiate "Maria da Paz" de Oran no Cabo da Gata em 1877, a barca "Flôr de Maio" na barra de Portimão em 1905. Lorenzo Gasperoni, que escreveu sobre eles, vê embarcações "lutando com as ondas de mares ferozes e enfurecidos ... São cenas aterradoras!" São os únicos milagres que a própria ermida documenta.

Na prática

A ermida está normalmente fechada. A fachada tem duas pequenas janelas, abertas para arejar, e por elas consegue ver-se os altares lá dentro. Com alguma sorte, a porta está aberta. O museu municipal faz visitas guiadas ocasionais na série "Passeios na História de Tavira", a última em dezembro de 2025, com Marco Sousa Santos como guia. Não a confunda com a ermida do mesmo nome na Luz de Tavira, de 1708.

Research

Cronologia e contexto

Cronologia

  • Finais do século XIV – Começa o povoamento da margem esquerda, na Alagoa e junto a São Lázaro, segundo a cronologia urbana do SIPA.
  • Século XV (?) – A datação prudente da Câmara para a origem da ermida.
  • 1518 – Primeiro documento: a visitação da Ordem de Santiago regista que o povo ergueu a ermida por devoção.
  • Finais do século XVII – A ermida é conhecida como Nossa Senhora do Livramento, o culto dos marítimos.
  • 1698 – Reconstrução.
  • Início do século XVIII – A confraria dos marítimos toma posse da ermida; Frei Agostinho de Santa Maria difunde a afirmação de um hospital de leprosos.
  • 1715 – O ano na verga do portal; a fachada ganha a sua forma.
  • Século XIX – A fachada é integralmente revestida de azulejos.
  • 1822-1905 – Os ex-votos datados são pintados e pendurados.
  • 1969 – O serviço estatal de edifícios, a DGEMN, restaura a ermida.
  • 2018 – A monografia de Marco Sousa Santos é apresentada na ermida.
  • 2025 – O museu municipal faz uma visita guiada à ermida.

Porque fica aqui

A ermida fica junto à antiga estrada de entrada em Tavira vinda de leste, mesmo em frente da vila medieval, do outro lado do rio. Foi um dos primeiros pontos da margem esquerda a ser construído, e a rua tomou-lhe o nome. Não é uma periferia em nenhum sentido dramático. É precisamente isso que enfraquece a história do hospital de leprosos e reforça a leitura da ermida como uma de três ermidas contra a peste em redor da cidade, juntamente com São Sebastião e São Roque.

O que resta

Um pequeno edifício de uma só nave, com a casa do ermitão ao lado, uma fachada de 1715 sob os azulejos do século XIX, três retábulos do século XVIII e as imagens dos dois padroeiros. Existem também os restos de um painel de azulejos figurativos do século XVIII, que esteve colocado num nicho exterior. A ermida não está classificada, tanto quanto as fontes mostram, mas a Câmara inclui-a no seu guia de igrejas, e o museu usa-a para visitas guiadas. A maior parte do que se julga saber sobre o lugar vem de um único livro de 80 páginas. Vale a pena lê-lo antes de repetir a lenda.

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