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Tavira

Capela de Nossa Senhora da Piedade

Pequena capela barroca de 1758 junto à antiga porta da vila, com um coração em chamas sobre a porta.

Flemming Berthelsen
© Flemming Berthelsen (2025)

Períodos

IluminismoIndustrial

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Para FamíliasPontos FotográficosVista PanorâmicaLugar TranquiloIgreja

Horário

Visível apenas do exterior O edifício não está aberto ao público – o local aprecia-se do exterior.

Introdução

Por cima da porta está um coração em chamas, trespassado por um punhal. É o sinal de Nossa Senhora das Dores e o melhor que a capela tem para mostrar por fora. A Capela de Nossa Senhora da Piedade é uma pequena capela barroca da segunda metade do século XVIII, construída para uma confraria de leigos, em 1758 segundo o guia de igrejas da Câmara Municipal. Fica onde a Porta da Vila atravessava a muralha e descia para o rio. A porta foi demolida, a capela ficou, e em frente dela está a antiga fonte principal da cidade, a Fonte da Praça, hoje centro interpretativo do abastecimento de água. Não se vai a Tavira por esta capela, mas é o sítio mais exato onde ficar se se quiser saber onde a cidade outrora acabava.

Destaques históricos

Junto à porta desaparecida

A capela fica no pequeno largo onde a Rua dos Pelames e a Rua Gonçalo Velho se encontram, a poucos passos do Gilão. Aqui ficava a Porta da Vila, uma das portas da cidade. A porta desapareceu, mas a muralha ainda se lê. As casas ao longo da Rua dos Pelames foram construídas em cima dela e seguem o seu traçado. A fachada está virada a poente, para o largo. Mesmo em frente está a Fonte da Praça, a fonte mais importante da cidade, depois estação elevatória e desde 2009 centro interpretativo do abastecimento de água a Tavira.

A confraria e a data

O guia de igrejas da Câmara não tem dúvidas: "Este templo de pequenas dimensões, perto da Fonte da Praça, pertencia à confraria de Nossa Senhora da Piedade e foi construído em 1758, junto à muralha do castelo." O SIPA é mais cauteloso e escreve segunda metade do século XVIII, construção nova ou reconstrução de uma capela mais antiga. De onde vem a data de 1758, nenhum dos dois o diz. O guia de igrejas em inglês escreve 1578. É uma gralha.

O portal da Graça

A porta é o que há de mais ambicioso no edifício. O portal parece-se com os portais do Convento da Graça, que Diogo Tavares (Faro 1711, Lagoa 1765) desenhou, e por isso o SIPA liga a capela ao seu círculo. A fachada é uma empena com frontão interrompido e contracurvado entre duas volutas, um óculo elíptico sobre a porta e o coração ardente em relevo no tímpano. O SIPA chama-lhe cenográfica. É uma forma delicada de o dizer. É maior do que aquilo que esconde.

Um espaço com duas naves

Lá dentro, o espaço é curto, uma só nave com abóbada de berço e sem capela-mor. Toda a luz vem do óculo. A norte abriram-se mais tarde dois arcos de volta perfeita para uma nave lateral mais baixa; quando, nenhuma fonte o diz. Ao fundo está um retábulo rococó em talha dourada dos finais do século XVIII, com um painel central côncavo atrás de vidro, onde está pendurada a pintura de Nossa Senhora da Piedade. O soalho de madeira foi substituído por tijoleira nos anos 1980, e uma lápide sepulcral diante do altar desapareceu na mesma altura, ninguém sabe para onde.

Na prática

Nenhuma das fontes oficiais indica horários de abertura, por isso conte com a porta fechada e veja a fachada por fora; a Câmara colocou uma pequena placa com a história da capela. Ponha-se de costas para o centro da água e tem a fachada tal como foi pensada. A Travessa da Fonte, do lado sul, leva à Igreja da Misericórdia. Não confunda a capela com o Convento das Bernardas, que também é dedicado a Nossa Senhora da Piedade.

Cronologia e contexto

Cronologia

  • 2.ª metade do século XVIII A capela é construída, ou uma mais antiga é reconstruída (SIPA).
  • 1758 O ano de construção do guia de igrejas, para a Confraria de Nossa Senhora da Piedade.
  • 1758-78 O Convento da Graça recebe nova portaria por Diogo Tavares, o modelo da capela.
  • Finais do século XVIII – O retábulo rococó em talha dourada.
  • Mais tarde, sem data – Acrescenta-se a nave norte.
  • 1911 Lei de Separação; os bens da Igreja passam para o Estado.
  • 1934 A capela é entregue à comissão da igreja da freguesia de Santa Maria.
  • Anos 1980 Tijoleira em vez de soalho de madeira; a lápide diante do altar desaparece.
  • 1983 A Câmara propõe a classificação.
  • 1991 O IPPC abre o processo de classificação.
  • 1996 Homologada como Interesse Municipal.
  • 2000 Paredes pintadas por um pedreiro local como medida preventiva.
  • 2010 IGESPAR: um bem da Igreja não pode ser classificado pela autarquia.
  • 2024 A CCDR Algarve propõe novo processo de classificação a nível nacional.

Porque fica aqui

O sítio era um dos mais importantes da cidade antiga: a porta da cidade que descia para o rio e, mesmo ao lado, a fonte pública mais importante da cidade. Quem construiu uma capela aqui construiu-a onde toda a gente passava, e isso explica a fachada. Está ordenada pelo largo, não pelo espaço que fica atrás, e o SIPA escreve que é a capela que determina a forma do largo. Quando a Porta da Vila foi demolida, o largo perdeu a sua coerência, mas a capela e a fonte continuam frente a frente.

Classificada, quase

O processo de classificação é a história mais longa da capela. A Câmara propôs a classificação em 1983, o processo foi aberto em 1991 e em 1996 o ministro decidiu que a capela tinha interesse municipal. Em 2010 o IGESPAR constatou que a capela pertence à Diocese do Algarve e por isso não pode ser classificada pela autarquia, e em 2024 a CCDR Algarve propôs recomeçar do zero a nível nacional. Ao fim de quarenta anos, o estado continua a ser "em vias de classificação". É uma história melhor sobre administração do que sobre a capela, mas mostra como é difícil classificar pequenos edifícios religiosos que pertencem à Igreja.

Há material de pesquisa adicional disponível para este sítio.

Capela de Nossa Senhora da Piedade

Capela de Nossa Senhora da Piedade - Flemming Berthelsen 1/3
©Flemming Berthelsen (2025)
Capela de Nossa Senhora da Piedade - Flemming Berthelsen 2/3
©Flemming Berthelsen (2025)
Capela de Nossa Senhora da Piedade - <a href="//commons.wikimedia.org/wiki/User:El_Pantera" class="mw-redirect" title="User:El Pantera">El Pantera</a>
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©El Pantera (2021)
Capela de Nossa Senhora da Piedade
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Para FamíliasPontos FotográficosVista PanorâmicaLugar TranquiloIgreja

Introdução

Por cima da porta está um coração em chamas, trespassado por um punhal. É o sinal de Nossa Senhora das Dores e o melhor que a capela tem para mostrar por fora. A Capela de Nossa Senhora da Piedade é uma pequena capela barroca da segunda metade do século XVIII, construída para uma confraria de leigos, em 1758 segundo o guia de igrejas da Câmara Municipal. Fica onde a Porta da Vila atravessava a muralha e descia para o rio. A porta foi demolida, a capela ficou, e em frente dela está a antiga fonte principal da cidade, a Fonte da Praça, hoje centro interpretativo do abastecimento de água. Não se vai a Tavira por esta capela, mas é o sítio mais exato onde ficar se se quiser saber onde a cidade outrora acabava.

Research

Destaques históricos

Junto à porta desaparecida

A capela fica no pequeno largo onde a Rua dos Pelames e a Rua Gonçalo Velho se encontram, a poucos passos do Gilão. Aqui ficava a Porta da Vila, uma das portas da cidade. A porta desapareceu, mas a muralha ainda se lê. As casas ao longo da Rua dos Pelames foram construídas em cima dela e seguem o seu traçado. A fachada está virada a poente, para o largo. Mesmo em frente está a Fonte da Praça, a fonte mais importante da cidade, depois estação elevatória e desde 2009 centro interpretativo do abastecimento de água a Tavira.

A confraria e a data

O guia de igrejas da Câmara não tem dúvidas: "Este templo de pequenas dimensões, perto da Fonte da Praça, pertencia à confraria de Nossa Senhora da Piedade e foi construído em 1758, junto à muralha do castelo." O SIPA é mais cauteloso e escreve segunda metade do século XVIII, construção nova ou reconstrução de uma capela mais antiga. De onde vem a data de 1758, nenhum dos dois o diz. O guia de igrejas em inglês escreve 1578. É uma gralha.

O portal da Graça

A porta é o que há de mais ambicioso no edifício. O portal parece-se com os portais do Convento da Graça, que Diogo Tavares (Faro 1711, Lagoa 1765) desenhou, e por isso o SIPA liga a capela ao seu círculo. A fachada é uma empena com frontão interrompido e contracurvado entre duas volutas, um óculo elíptico sobre a porta e o coração ardente em relevo no tímpano. O SIPA chama-lhe cenográfica. É uma forma delicada de o dizer. É maior do que aquilo que esconde.

Um espaço com duas naves

Lá dentro, o espaço é curto, uma só nave com abóbada de berço e sem capela-mor. Toda a luz vem do óculo. A norte abriram-se mais tarde dois arcos de volta perfeita para uma nave lateral mais baixa; quando, nenhuma fonte o diz. Ao fundo está um retábulo rococó em talha dourada dos finais do século XVIII, com um painel central côncavo atrás de vidro, onde está pendurada a pintura de Nossa Senhora da Piedade. O soalho de madeira foi substituído por tijoleira nos anos 1980, e uma lápide sepulcral diante do altar desapareceu na mesma altura, ninguém sabe para onde.

Na prática

Nenhuma das fontes oficiais indica horários de abertura, por isso conte com a porta fechada e veja a fachada por fora; a Câmara colocou uma pequena placa com a história da capela. Ponha-se de costas para o centro da água e tem a fachada tal como foi pensada. A Travessa da Fonte, do lado sul, leva à Igreja da Misericórdia. Não confunda a capela com o Convento das Bernardas, que também é dedicado a Nossa Senhora da Piedade.

Research

Cronologia e contexto

Cronologia

  • 2.ª metade do século XVIII A capela é construída, ou uma mais antiga é reconstruída (SIPA).
  • 1758 O ano de construção do guia de igrejas, para a Confraria de Nossa Senhora da Piedade.
  • 1758-78 O Convento da Graça recebe nova portaria por Diogo Tavares, o modelo da capela.
  • Finais do século XVIII – O retábulo rococó em talha dourada.
  • Mais tarde, sem data – Acrescenta-se a nave norte.
  • 1911 Lei de Separação; os bens da Igreja passam para o Estado.
  • 1934 A capela é entregue à comissão da igreja da freguesia de Santa Maria.
  • Anos 1980 Tijoleira em vez de soalho de madeira; a lápide diante do altar desaparece.
  • 1983 A Câmara propõe a classificação.
  • 1991 O IPPC abre o processo de classificação.
  • 1996 Homologada como Interesse Municipal.
  • 2000 Paredes pintadas por um pedreiro local como medida preventiva.
  • 2010 IGESPAR: um bem da Igreja não pode ser classificado pela autarquia.
  • 2024 A CCDR Algarve propõe novo processo de classificação a nível nacional.

Porque fica aqui

O sítio era um dos mais importantes da cidade antiga: a porta da cidade que descia para o rio e, mesmo ao lado, a fonte pública mais importante da cidade. Quem construiu uma capela aqui construiu-a onde toda a gente passava, e isso explica a fachada. Está ordenada pelo largo, não pelo espaço que fica atrás, e o SIPA escreve que é a capela que determina a forma do largo. Quando a Porta da Vila foi demolida, o largo perdeu a sua coerência, mas a capela e a fonte continuam frente a frente.

Classificada, quase

O processo de classificação é a história mais longa da capela. A Câmara propôs a classificação em 1983, o processo foi aberto em 1991 e em 1996 o ministro decidiu que a capela tinha interesse municipal. Em 2010 o IGESPAR constatou que a capela pertence à Diocese do Algarve e por isso não pode ser classificada pela autarquia, e em 2024 a CCDR Algarve propôs recomeçar do zero a nível nacional. Ao fim de quarenta anos, o estado continua a ser "em vias de classificação". É uma história melhor sobre administração do que sobre a capela, mas mostra como é difícil classificar pequenos edifícios religiosos que pertencem à Igreja.

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