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Tavira

Arraial Ferreira Neto

Arraial de pescadores de atum de 1945, murado, nas Quatro Águas; hoje hotel com museu do atum.

Jose A., CC BY 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by/2.0>, via Wikimedia Commons
© Jose A., CC BY 2.0 , via Wikimedia Commons (2014)

Períodos

ModernaContemporâneo

Etiquetas

Para FamíliasPontos FotográficosVista PanorâmicaMuseuIgrejaPatrimónio GastronómicoHistória Marítima

Horário

Acesso limitado Não há horário fixo. O local abre apenas para celebrações, exposições ou eventos – informe-se localmente antes de contar com a entrada.

Site

https://www.vilagale.com/

Introdução

A aldeia murada lá fora, nas Quatro Águas, é um hotel, e antes disso foi um arraial de pescadores de atum. A Companhia de Pescarias do Algarve construiu-a em 1943-45, depois de o mar ter comido o antigo arraial da companhia na Ilha de Tavira, e inaugurou-a a 15 de abril de 1945. Dentro do muro havia casas para cerca de 150 famílias, escola, padaria, capela e posto médico, em uso apenas da primavera ao fim do verão, quando o atum passava. Em 1971 saiu do cais a última armação, em 1972 o arraial fechou, e desde 2000 é o Hotel Vila Galé Albacora. O museu na antiga padaria é gratuito, e é a razão para vir até aqui.

Destaques históricos

Um arraial que o mar levou

A Companhia de Pescarias do Algarve foi fundada em 1835 e explorava a armação do Medo das Cascas, uma armação fixa de redes ao largo do Forte do Rato. Os pescadores viviam na Ilha de Tavira. Depois da barra artificial de 1926, o mar começou a comer a ilha. Marco Lopes leu os livros de atas da companhia: casas foram destruídas em março de 1936, em abril de 1941 o arraial estava "condenado a desaparecer", e uma tempestade em junho de 1942 levou o resto. A companhia arrendou um terreno no Sapal do Rato e pediu ao engenheiro José Sena Lino que desenhasse um novo arraial em terra firme. O nome é o do Comendador Ferreira Neto, dirigente da companhia até à sua morte em 1935.

Uma povoação para uma só época

A construção começou em maio de 1943, e no domingo 15 de abril de 1945 o arraial foi inaugurado com o secretário de Estado Castro Fernandes, enquanto o prior António do Nascimento Patrício abençoava arraial e redes. A escola veio em 1947, a capela em 1949. A área é de 37.500 metros quadrados, toda murada, com dois portões. O edifício da torre divide-a numa metade com armazéns e oficinas e numa parte habitacional com dois largos e cinco ruas. Urbano Rodrigues chamou-lhe no Diário de Notícias "o acampamento da tribo que vai arrancar aquela riqueza ao mar".

Um atum por ano, depois hotel

Todas as primaveras o prior abençoava as redes com sal e água, e os carmelitas de Tavira e Faro recebiam o valor da venda dos primeiros atuns; Marco Lopes tem o ritual dos papéis da companhia. As capturas caíram a partir de 1961. Em 1970 e 1971 apanhou-se um atum por ano, e em 1972 a companhia fechou. De 1975 a 1994 a câmara arrendou as casas a retornados das colónias. A Vila Galé comprou o conjunto em 1997, e o hotel abriu depois da remodelação de 1999-2000, segundo Faísca em 2001. A classificação só veio em 2002, depois da remodelação. O veredicto do SIPA é seco: os volumes estão preservados, o interior das habitações foi totalmente alterado.

Na prática

O museu, Núcleo Museológico da Pesca do Atum, fica na antiga padaria e é gratuito: uma maqueta de uma almadrava, fotografias e documentos da companhia e o documentário "Almadrava" de Hélder Mendes para a RTP, de 1968. Repare no painel de azulejos com São Gonçalo de Lagos na capela, na inscrição ESCOLA na antiga escola, hoje clube infantil, e na torre do edifício da administração, que divide o arraial em dois. O Forte do Rato fica perto, nas dunas.

Cronologia e contexto

Cronologia

  • 1835 É fundada a Companhia de Pescarias do Algarve; explora a armação do Medo das Cascas ao largo do Forte do Rato.
  • 1892-1935 O Comendador Ferreira Neto dirige a companhia; o arraial receberá mais tarde o seu nome.
  • 1926 Abre-se a barra artificial; o mar começa a comer o arraial na Ilha de Tavira.
  • 1936-42 Casas são destruídas e o arraial é abandonado (o SIPA data a destruição de fevereiro de 1941).
  • 1942-43 José Sena Lino desenha o novo arraial; início das obras em maio de 1943.
  • 15 de abril de 1945 Inauguração com o secretário de Estado Castro Fernandes e bênção do arraial e das redes.
  • 1947-49 Constroem-se a escola e a capela; o conjunto fica concluído.
  • 1961 As capturas começam a cair.
  • 1970-71 Um atum por ano; última armação a sair do cais em 1971.
  • 1972 O arraial fecha.
  • 1975-94 A câmara arrenda o conjunto a retornados das colónias.
  • 1987 A Ria Formosa passa a parque natural.
  • 1997-2000 A Vila Galé compra o conjunto e transforma-o em hotel.
  • 2002 Classificado como Imóvel de Interesse Público.

Porque é que o arraial fica aqui

As redes estavam ao largo do Forte do Rato, e os pescadores tinham de viver perto delas nos meses em que o atum passava. Enquanto a ilha aguentou, viveram lá. Quando o mar, depois da barra de 1926, começou a comer a ilha, as dunas das Quatro Águas eram o lugar firme mais próximo; a companhia arrendou o terreno à Direcção Hidráulica do Guadiana em 1941. A morada é ditada pela distância às redes, não pela vista.

O que resta

Os muros, os portões, a torre, as ruas e os largos, a capela com o seu painel de azulejos e a escola com a sua inscrição. Por dentro, as habitações foram transformadas em 161 quartos de hotel, e o SIPA chama total à alteração do interior. O lugar tem, portanto, de ser lido de fora, como planta: a parte industrial, a parte habitacional e o edifício da torre que as separa. A DGPC chama-lhe uma aldeia de linhas rústico-portuguesas, racionalismo do Estado Novo em "materiais portugueses". O que se passou por detrás dos muros em 26 épocas está no arquivo da companhia, doado à câmara em 2000: 8 caixas, 27 livros e 55 cadernos.

Há material de pesquisa adicional disponível para este sítio.

Arraial Ferreira Neto

Arraial Ferreira Neto - Jose A., CC BY 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by/2.0>, via Wikimedia Commons 1/6
©Jose A., CC BY 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by/2.0>, via Wikimedia Commons (2014)
Arraial Ferreira Neto - <a rel="nofollow" class="external text" href="https://www.flickr.com/people/21446942@N00">Vitor Oliveira</a> from Torres Vedras, PORTUGAL 2/6
©Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL (2019)
Arraial Ferreira Neto - <a rel="nofollow" class="external text" href="https://www.flickr.com/people/21446942@N00">Vitor Oliveira</a> from Torres Vedras, PORTUGAL 3/6
©Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL (2019)
Arraial Ferreira Neto - Touring Club Italiano, CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons 4/6
©Touring Club Italiano, CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons (1965)
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Introdução

A aldeia murada lá fora, nas Quatro Águas, é um hotel, e antes disso foi um arraial de pescadores de atum. A Companhia de Pescarias do Algarve construiu-a em 1943-45, depois de o mar ter comido o antigo arraial da companhia na Ilha de Tavira, e inaugurou-a a 15 de abril de 1945. Dentro do muro havia casas para cerca de 150 famílias, escola, padaria, capela e posto médico, em uso apenas da primavera ao fim do verão, quando o atum passava. Em 1971 saiu do cais a última armação, em 1972 o arraial fechou, e desde 2000 é o Hotel Vila Galé Albacora. O museu na antiga padaria é gratuito, e é a razão para vir até aqui.

Research

Destaques históricos

Um arraial que o mar levou

A Companhia de Pescarias do Algarve foi fundada em 1835 e explorava a armação do Medo das Cascas, uma armação fixa de redes ao largo do Forte do Rato. Os pescadores viviam na Ilha de Tavira. Depois da barra artificial de 1926, o mar começou a comer a ilha. Marco Lopes leu os livros de atas da companhia: casas foram destruídas em março de 1936, em abril de 1941 o arraial estava "condenado a desaparecer", e uma tempestade em junho de 1942 levou o resto. A companhia arrendou um terreno no Sapal do Rato e pediu ao engenheiro José Sena Lino que desenhasse um novo arraial em terra firme. O nome é o do Comendador Ferreira Neto, dirigente da companhia até à sua morte em 1935.

Uma povoação para uma só época

A construção começou em maio de 1943, e no domingo 15 de abril de 1945 o arraial foi inaugurado com o secretário de Estado Castro Fernandes, enquanto o prior António do Nascimento Patrício abençoava arraial e redes. A escola veio em 1947, a capela em 1949. A área é de 37.500 metros quadrados, toda murada, com dois portões. O edifício da torre divide-a numa metade com armazéns e oficinas e numa parte habitacional com dois largos e cinco ruas. Urbano Rodrigues chamou-lhe no Diário de Notícias "o acampamento da tribo que vai arrancar aquela riqueza ao mar".

Um atum por ano, depois hotel

Todas as primaveras o prior abençoava as redes com sal e água, e os carmelitas de Tavira e Faro recebiam o valor da venda dos primeiros atuns; Marco Lopes tem o ritual dos papéis da companhia. As capturas caíram a partir de 1961. Em 1970 e 1971 apanhou-se um atum por ano, e em 1972 a companhia fechou. De 1975 a 1994 a câmara arrendou as casas a retornados das colónias. A Vila Galé comprou o conjunto em 1997, e o hotel abriu depois da remodelação de 1999-2000, segundo Faísca em 2001. A classificação só veio em 2002, depois da remodelação. O veredicto do SIPA é seco: os volumes estão preservados, o interior das habitações foi totalmente alterado.

Na prática

O museu, Núcleo Museológico da Pesca do Atum, fica na antiga padaria e é gratuito: uma maqueta de uma almadrava, fotografias e documentos da companhia e o documentário "Almadrava" de Hélder Mendes para a RTP, de 1968. Repare no painel de azulejos com São Gonçalo de Lagos na capela, na inscrição ESCOLA na antiga escola, hoje clube infantil, e na torre do edifício da administração, que divide o arraial em dois. O Forte do Rato fica perto, nas dunas.

Research

Cronologia e contexto

Cronologia

  • 1835 É fundada a Companhia de Pescarias do Algarve; explora a armação do Medo das Cascas ao largo do Forte do Rato.
  • 1892-1935 O Comendador Ferreira Neto dirige a companhia; o arraial receberá mais tarde o seu nome.
  • 1926 Abre-se a barra artificial; o mar começa a comer o arraial na Ilha de Tavira.
  • 1936-42 Casas são destruídas e o arraial é abandonado (o SIPA data a destruição de fevereiro de 1941).
  • 1942-43 José Sena Lino desenha o novo arraial; início das obras em maio de 1943.
  • 15 de abril de 1945 Inauguração com o secretário de Estado Castro Fernandes e bênção do arraial e das redes.
  • 1947-49 Constroem-se a escola e a capela; o conjunto fica concluído.
  • 1961 As capturas começam a cair.
  • 1970-71 Um atum por ano; última armação a sair do cais em 1971.
  • 1972 O arraial fecha.
  • 1975-94 A câmara arrenda o conjunto a retornados das colónias.
  • 1987 A Ria Formosa passa a parque natural.
  • 1997-2000 A Vila Galé compra o conjunto e transforma-o em hotel.
  • 2002 Classificado como Imóvel de Interesse Público.

Porque é que o arraial fica aqui

As redes estavam ao largo do Forte do Rato, e os pescadores tinham de viver perto delas nos meses em que o atum passava. Enquanto a ilha aguentou, viveram lá. Quando o mar, depois da barra de 1926, começou a comer a ilha, as dunas das Quatro Águas eram o lugar firme mais próximo; a companhia arrendou o terreno à Direcção Hidráulica do Guadiana em 1941. A morada é ditada pela distância às redes, não pela vista.

O que resta

Os muros, os portões, a torre, as ruas e os largos, a capela com o seu painel de azulejos e a escola com a sua inscrição. Por dentro, as habitações foram transformadas em 161 quartos de hotel, e o SIPA chama total à alteração do interior. O lugar tem, portanto, de ser lido de fora, como planta: a parte industrial, a parte habitacional e o edifício da torre que as separa. A DGPC chama-lhe uma aldeia de linhas rústico-portuguesas, racionalismo do Estado Novo em "materiais portugueses". O que se passou por detrás dos muros em 26 épocas está no arquivo da companhia, doado à câmara em 2000: 8 caixas, 27 livros e 55 cadernos.

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